Estado abandona Niterói e São Gonçalo

Raquel Morais –

Parece que a saúde e a segurança não são as prioridades do governo atual. Três grandes obras de responsabilidade estadual estão longe de serem entregues. Apesar de já iniciados, os projetos não vingaram e as obras estão paradas há meses, algumas por anos. São elas: Rio Imagem II (no Centro), a Delegacia de Homicídios de Niterói (no Barreto) e a Maternidade e Hospital da Mãe (Colubandê em São Gonçalo).

1 - RIO IMAGEM 2 (1)

A construção do Centro de Diagnóstico Rio Imagem II, onde funcionava o Hospital Santa Mônica, no Centro de Niterói, está parada há cerca de um ano. Mas antes da interrupção as intervenções no terreno já caminhavam lentamente. As ferragens expostas estão enferrujadas, os entulhos se aglomeram a cada dia e as folhas caídas no chão remetem à ausência de operários no local. E se antes a força do trabalho dos operários chamava atenção de quem passava pelo local, hoje o mato exibe sua força tomando conta do futuro hospital de imagens. As lonas de proteção na parte externa também foram alvo da ação do tempo. A Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro (Emop) informou em nota que a obra teve 13% de execução, investimento de R$ 23.253.168,81 e está parada por conta da crise financeira do Estado.

Porém, ainda segundo o informe, há uma expectativa de que, com a assinatura do acordo de recuperação fiscal e a consequente entrada de novos recursos, a pasta venha a dar continuidade, a médio prazo, aos projetos que hoje estão parados. O local terá cinco pavimentos, ocupará uma área total de cerca de cinco mil metros quadrados e contará com três salas de raio-X, duas de ressonância, duas de tomografia, cinco salas de ultrassonografia, quatro de eletrocardiograma e duas de mamografia. As instalações contarão com equipamentos de última geração, que vão oferecer à população exames gratuitos.

Na Delegacia de Homicídios, na Avenida Benjamin Constant, ao lado do Colégio Pedro II, o cadeado com correntes no portão mostra a realidade da construção, que não existe e também está parada. No terreno apenas as fundações foram feitas, as ferragens estão expostas, as madeiras apodrecem e o desnível do solo propicia o acúmulo de água de chuva. Em 2015 foi divulgado que ‘cada nova unidade terá 2.400 m² distribuídos em seis andares. As Delegacias de Homicídios, que estarão inseridas no Programa Delegacia Legal, terão 100 postos de trabalho cada (…) O investimento da DH Niterói de R$ 10.528.658,82. O prazo estimado para conclusão destas obras é de 12 meses’. Mas o Programa Delegacia Legal, que responde pelas obras, não se manifestou sobre o assunto até o fechamento dessa edição.

Já à1 - HOSPITAL DA MULHER (12)s margens da Rodovia Amaral Peixoto, RJ-104, as obras da Maternidade e Hospital da Mãe, em São Gonçalo, estão paradas há anos, e têm investimento de R$ 37.225.431,90. O imponente prédio de três andares ganhou forma, o que animou os gonçalenses, mas as intervenções pararam e no espaço não há movimentação. Parte das estruturas está pichada, ferragens também enferrujadas e até mesmo parte do tapume da obra já caiu com o tempo. Também não há placa indicativa das obras no terreno. A Emop confirma que 27% da obra foi executada. Segundo a nota oficial, também por causa da crise financeira, a obra parou.

A unidade terá quatro consultórios de maternidade, um de serviço social, 14 salas de PPP (pré-parto, parto e pós-parto), 80 leitos de enfermaria, centro cirúrgico e Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal. Também está no projeto um centro de diagnóstico por imagem, com raio-x e ultrassonografia e previsão de realização de 800 e mais de 10 mil consultas por mês.

Elefante branco da saúde
Apesar de ainda estar funcionando, o Instituto de Assistência dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro (Iaserj), no Centro de Niterói, de longe não é aproveitado como poderia e deveria ser. Com mais de cinco andares, vários elevadores e estacionamento próprio, o espaço funciona apenas para atendimentos dos servidores estaduais em clínica médica, com poucas especialidades. Em 2015 foi divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) a elaboração de um laudo técnico para apontar as verdadeiras condições do prédio. A equipe de reportagem de A TRIBUNA chegou a questionar, na época, sobre a possibilidade do Governo do Estado usar o prédio do Iaserj para montar o Rio Imagem II. Mas a SES descartou a ideia e a população niteroiense continua no aguardo do laudo. Questionada novamente sobre o futuro desse espaço e sobre o documento que seria emitido, a SES se limitou a responder que ‘não tem atualização sobre este tema, tendo em vista o atual momento’.

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