Esposa de homem negro morto por militar presta novo depoimento

Luziane Teófilo, esposa de Durval Teófilo Filho, homem negro morto pelo vizinho em São Gonçalo, prestou depoimento, hoje (10), na sede da Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Marica (DHNSG). O acusado pelo crime, Aurélio Alves Bezerra, que é sargento da Marinha, está preso preventivamente e poderá ser levado a júri popular.

A esposa de Durval chegou à DHNSG por volta das 11h, horário para o qual estava marcado o depoimento. A mulher estava acompanhada pela cunhada e um advogado. No entanto, nenhum dos três conversou com jornalistas na chegada. Eles foram ouvidos pelo delegado Pablo Valentim, que, na última semana, assumiu a titularidade da especializada.

Embora o caso já tenha sido remetido á Justiça, a DHNSG quer coletar maiores informações sobre o crime. Inicialmente, a Polícia Civil indiciou Aurélio por homicídio culposo. No entanto, a Justiça atendeu pedido feito pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e alterou a tipificação para homicídio doloso.

A oitiva se estendeu até o começo da tarde de hoje. Luziane deixou a delegacia por volta de 13h. Após prestar depoimento, ela conversou brevemente com jornalistas. A esposa de Durval afirmou não ter recebido nenhum tipo de condolência por parte da Marinha. Sobre supostas ameaças que estaria sofrendo, a mulher preferiu não se pronunciar.

“Eu estou muito chateada. O que eu mais quero é justiça. Foi racismo sim. Isto não pode ficar impune. Ele não teve piedade do meu marido, não aceito perdão. Foi um crime bárbaro. A polícia está a par de tudo e prefiro ficar em silêncio. A Marinha não me procurou e ninguém sequer deu os pêsames, pediu desculpas ou perdão”, disse.

A modificação da tipificação do crime também alterou o curso do processo, inicialmente remetido à 5ª Vara Criminal da Comarca de São Gonçalo, o caso passará para a 4ª Vara Criminal, na mesma comarca. O despacho foi proferido, na terça-feira (8), pela juíza titular da 5ª Vara, Myriam Therezinha Simen Rangel Cury. Agora, o caso está nas mãos da juíza Juliana Grillo El-Jaick.

“Diante do exposto, tendo em vista, tratar-se de delito doloso contra a vida o qual no caso, a competência para processar e julgar é do Tribunal do Júri, conforme art. 5º, XXXVIII, “d”, da Constituição da República e art. 74, do Código de Processo Penal, declínio da competência para a 4ª Vara Criminal desta Comarca, para onde deverão ser remetidos os autos, após a baixa e anotações necessárias”, disse Myriam.

Recordando

O crime ocorreu no fim da noite de 2 de fevereiro no bairro do Colubandê, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio. O repositor de supermercado Durval Teófilo Filho, que morava no mesmo condomínio do sargento, foi atingido por três tiros quando abria sua mochila para pegar a chave do portão. O sargento Aurélio Alves Bezerra, que aguardava a abertura do portão dentro de um Celta preto, fez os disparos de dentro do carro. Ele alegou à polícia que atirou por achar que seria assaltado.

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