Especialistas destacam importância de se ter reserva financeira

Especialistas afirmam que a pandemia mostrou aos brasileiros a importância de se ter uma reserva financeira. Com a chegada do fim do ano e do décimo terceiro salário, as pessoas podem ter mais tranquilidade em relação ao orçamento.

Os economistas deram dicas de como conseguir montar uma reserva, mesmo em tempos de crise. Pagar as dívidas que têm juros mais elevados é o primeiro passo.

“As reservas financeiras são, antes de tudo, importantes para gastos imprevistos. Por exemplo, em saúde ou no conserto do carro ou do imóvel”, afirma o economista e professor licenciado da Universidade de Brasília (UnB) Newton Marques. Especialista em educação financeira, ele sugere que, tendo um dinheirinho sobrando, as pessoas procurem, primeiro, quitar dívidas que, em função dos juros, estejam crescentes. “Quem receber o décimo terceiro salário pode utilizar da seguinte forma: pagar dívida que tem juros, consumir parte nas festas de fim de ano e guardar uma parte para gastos imprevistos em 2021”, resume.

“Todos podemos viver gastando menos”

Foi o que afirmou o conselheiro da Associação Nacional de Executivos de Finanças (Anefac), Andrew Frank Storfer. Para ele, “existe um produto que todos deveriam comprar: a tranquilidade. Ter alguma reserva para imprevistos é sempre bom. Independentemente da pandemia, quem pode olhar para trás e dizer que não teve algum imprevisto nos últimos cinco anos? Que não teve de fazer um tratamento, comprar remédios; quem não teve geladeira ou TV quebrada? Quem não bateu um carro, ou teve de ir ao mecânico? O mesmo se pode dizer dos próximos cinco anos. Sempre há um imprevisto”, disse o conselheiro da Anefac.

Mesmo entendendo que muita gente recebe salário que mal dá para suportar os gastos básicos com alimentação e moradia, ele sugere que é fundamental fazer esforços, pelo menos no sentido de cortar gastos, na tentativa de guardar um pouco.

“O segredo é equilibrar o desejo de gastar com algum serviço, ou de comprar alguma coisa, com a necessidade de ter reservas e, assim, tranquilidade. Neste fim de ano, presentes podem ser o primeiro gasto a ser reduzido. Ainda mais tendo em vista que há limitações para sair de casa e frequentar lojas e shoppings. Os gastos com serviços e compras do dia a dia devem sempre ser revistos. Há itens que subiram de preço e podem ser substituídos por outros. Procurar alternativas com preços mais em conta pode fazer uma diferença”, sugere o especialista.

Compras online

Os economistas colocam a opção de compras online como mais vantajosa por vários motivos. Alguns são a facilidade de comparar preços sem se deslocar de um estabelecimento para outro. Isso já faz consumidor não gastar com o dinheiro do transporte. “Além disso, os produtos são em geral “bem mais baratos” do que estão à venda em lojas físicas”, explica Storfer.

Redução salarial

Muitas pessoas sofrerem com um problema que 2020 trouxe, além do coronavírus, e tiveram que reorganizar seus orçamentos. A redução salarial combinada entre empresa e empregado, como uma solução para evitar a demissão.

Nesses casos, o conselheiro da Anefac sugere que, em primeiro lugar, o problema seja compartilhado com a família. “Ter uma conversa direta com todos da família é muito útil porque alinha a situação e o entendimento, fazendo com que todos passem a dar mais valor ao dinheiro que entra, que cooperem na redução de gastos e que entendam o momento vivido”, disse.

“A partir daí, analisar o que pode ser cortado e que gastos podem ser adiados. É importante também entender que não se pode contar antecipadamente com uma melhora no futuro, e que fazer um empréstimo ou entrar em cheque especial nada mais é que empurrar para a frente a conta a ser paga”, acrescentou, ao lembrar que os juros no Brasil “continuam altíssimos e proibitivos”.

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