Especialistas buscam origem do vírus causador da covid-19

Há mais de um ano, uma dúvida atormenta o mundo: Da onde surgiu o Sars-Cov-2, vírus causador da Covid-19? Buscando respostas para esse questionamento um grupo de 34 especialistas, sendo 17 chineses e os outros 17 internacionais, foram à China e visitaram hospitais, mercados e laboratórios durante duas semanas. No fim da visita, que foi controlada pelas autoridades locais e de início resistiram à sua realização, um relatório de 120 páginas foi entregue com quatro possíveis conclusões sobre a origem do vírus e a forma como foram transmitidos para humanos.

Sobre o contágio direto de animal para humano, o relatório explica que há fortes evidências de que a maioria dos vírus da família coronavírus que circula entre humanos, tenha se originado em animais. Apesar de acharem que a transmissão aconteceu do morcego para o ser humano, eles também não descartam a possibilidade de que um pangolim ou um vison (ambos mamíferos comuns na Ásia) tenha sido o animal que infectou um ser humano com o vírus.

Já em relação a existir um animal intermediário entre o infectado e o homem, os especialistas explicam que, as circunstâncias apontam para um animal que desenvolveu o vírus, infectou um animal de outra espécie e este infectou um humano. O documento menciona que o número crescente de animais suscetíveis ao Sars-CoV-2 inclui animais silvestres domesticados em fazendas.

Outra possível explicação é a de que os humanos foram infectados por meio de produtos alimentícios. Isso inclui alimentos congelados que são comumente vendidos em mercados como o de Wuhan. Há evidências que sugerem que o Sars-CoV-2 pode sobreviver em produtos congelados contaminados. No entanto, o documento da OMS afirma que não há evidências conclusivas da transmissão do Sars-CoV-2 dos alimentos e que essa probabilidade de contaminação é muito baixa.

A ideia de que o vírus atingiu humanos devido a um incidente em laboratório é considerada extremamente improvável. O documento esclarece que os pesquisadores não analisaram a possibilidade de alguém ter espalhado o vírus deliberadamente.Com base na análise do genoma do vírus, cientistas também descartaram a possibilidade do vírus ter sido criado em laboratório.

De acordo com a OMS, os três laboratórios de Wuhan que trabalham com coronavírus têm “níveis de biossegurança de alta qualidade”, com equipes nas quais nenhuma doença relacionada ao covid-19 foi relatada durante as semanas ou meses anteriores a dezembro de 201

“Embora a equipe tenha concluído que um vazamento de laboratório é a hipótese menos provável, isso requer uma investigação mais aprofundada, possivelmente com missões adicionais envolvendo especialistas”, disse o diretor da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesu.

Mesmo com a análise feita por esses especialistas, algumas perguntas ainda ficaram sem resposta.

A equipe confirmou que havia contaminação generalizada de Sars-CoV-2 no mercado de Huanan, em Wuhan, mas não conseguiu determinar a fonte dessa contaminação. “Isso pode sugerir que o mercado de Huanan não foi a fonte original do surto”, disse o relatório.

As fazendas de vida selvagem que abastecem o mercado de Wuhan podem ter sido as responsáveis por ter levado o vírus para o local. onde uma maior prevalência de Sars-CoV-2 foi detectada em morcegos. O documento alerta que, embora isso “não demonstre um vínculo”, abre uma importante via de investigação.

O relatório também sugere que várias amostras de Sars-CoV-2 que parecem ser positivas foram detectadas antes do primeiro caso em Wuhan, sugerindo que o vírus pode ter circulado em outros países.

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