Especialistas assinam nota técnica e pedem medidas urgentes contra a Covid-19

Um grupo de especialistas multidisciplinar da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) assinou uma nota técnica, na segunda-feira (30), solicitando medidas mais duras e urgentes de combate ao aumento de casos pandemia de Covid-19 no estado, entre as quais está o fechamento das praias e a avaliação de um possível lockdown. As medidas estão servindo de alerta, sugeridas em meio a um crescimento acelerado do número de casos positivos de coronavírus, sem ter ocorrido o fim da chamada primeira onda de registros e do isolamento social.

“Os dados sugerem que há uma nova onda se sobrepondo à primeira, fato que torna o problema ainda mais grave e complexo, principalmente em virtude de aglomerações desnecessárias e declarações públicas de autoridades governamentais, afirmando que não retrocederão nas medidas de flexibilização. Conclamamos os entes municipal, estadual e federal para uma ação unificada e a adoção de diversas medidas”. De acordo com a nota, “destaca-se que tais medidas não foram acompanhadas de ações visando oferecer transporte público adequado a fim de evitar a sobrecarga, o que torna esse meio de mobilidade um provável foco de disseminação do vírus”.
O parecer técnico pede urgência das autoridades governamentais para implementar ações para o enfrentamento desse novo aumento de casos, e pede ação unificada para adoção das seguintes medidas:

1 – Abertura imediata de leitos hospitalares, incluindo os de UTI, para absorver a crescente demanda por vagas; contratação emergencial de profissionais de saúde para atuarem nesses leitos;

2 – Aquisição emergencial de equipamentos e insumos necessários para a assistência aos pacientes;

3- Realização de ampla testagem por RT-PCR em todos os casos suspeitos, com rastreamento de seus contatos;

4 – Isolamento dos casos e contatos com RT-PCR positivo;

5- Reforço nas campanhas de esclarecimento sobre as medidas preventivas;

6 – Ampliação da oferta de transporte público a fim de evitar aglomeração;

7 – Suspensão imediata de eventos presenciais, sejam sociais, esportivos ou culturais;

8 – Fechamento das praias;

9 – Limitação e escalonamento do horário de funcionamento de estabelecimentos que permanecerem abertos; rigorosa fiscalização dos estabelecimentos abertos; e

10 – Avaliação da decretação de lockdown (isolamento social severo) caso o cenário epidemiológico da doença se mantenha ou se agrave.


Também, segundo os especialistas, o aumento dos casos já está provocando “grande estresse no sistema de assistência à saúde” e sobrecarga das emergências dos hospitais e das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). “O risco de ocorrerem óbitos sem que o paciente seja internado é elevadíssimo. São dados extremamente preocupantes. Estamos evoluindo em curto período para o colapso da rede de assistência aos pacientes, especialmente os mais graves. Ao se caracterizar tal situação, o momento será ainda mais dramático, pois ao longo do processo pandêmico aprendemos a lidar melhor com os casos graves e, atualmente, a probabilidade de cura é maior do que no princípio da pandemia, desde que o paciente consiga acesso aos serviços de saúde”.

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