Especialistas apontam problemas enfrentados por quem tem Lúpus e precisa da cloroquina e hidroxicloroquina

A saída do ministro da Saúde, Nelson Teich, que questionou o uso do cloroquina e hidroxicloroquina para o tratamento do coronavírus, levantou uma questão ainda mais profunda sobre o medicamento. Especialistas opinam sobre o uso do remédio considerado por uns a salvação na batalha contra a Covid 19 e por outros apenas um medicamento destinado para outros tratamentos; como por exemplo o Lúpus. Maio é considerado o mês da conscientização sobre Lúpus e quem sofre com essa patologia teme um agravamento da doença e clama por empatia das pessoas, que estão esvaziando os estoques das farmácias na compra desenfreada pelo remédio.

A jornalista Karla Barcellos tem Lúpus e é ativista pela causa, principalmente em Niterói, e explicou que metade dos pacientes com Lúpus no Brasil não tem mais acesso ao remédio.

“A princípio saiu de circulação e depois a Anvisa criou uma receita carbonada. Eu comprava sem receita. É um remédio muito utilizado pelos pacientes. Isso para o paciente imunossuprimidos é muito ruim pois ele terá que se expor nos consultórios ou em postos de saúde para conseguir a receita para comprar o remédio. O Lúpus é uma doença inflamatória, crônica e muito agressiva. O paciente sem a medicação vai adoecer e vai usar o leito de UTI e o respirador como qualquer outra pessoa afetada pelo coronavírus”, frisou.

Em um breve levantamento o Reuquinol 400mg com 30 comprimidos não foi encontrado em diversas farmácias de Niterói. Os estoques foram esgotados e as farmácias não têm previsão para abastecimento. Em uma farmácia no Centro o medicamento era vendido por R$ 78, em Icaraí por R$ 88 e no Ingá por R$ 77. A única opção para quem precisa do remédio é recorrer para farmácias de manipulação, que chegam a cobrar, no Centro da cidade, R$ 192.

O Diretor Executivo da Sociedade de Reumatologia do Rio de Janeiro, Dr. Flávio Nery, explicou o quanto é prejudicial essa corrida nas farmácias para a compra da cloroquina e hidroxicloroquina para pacientes com Lúpus, que precisam desse medicamento.

Não tem nenhum estudo que comprove o uso deles no tratamento do coronavírus. Tem alguns estudos que mostram que pessoas com Lúpus estão desenvolvendo a doença de forma normal igual a população que não tem essa patologia. E essa falta dos remédios para esses pacientes pode gerar ainda mais tensão, depressão e estresse e para quem tem o Lúpus isso funciona como um gatilho para a baixa imunidade e o agravamento da doença”, ponderou o reumatologista.

Já o infectologista Edimilson Migowski acredita que existem opções melhores para o tratamento do coronavírus e essa busca desenfreada é muito prejudicial para quem realmente precisa. Ele informou que já tratou de 186 pacientes com o coronavírus, entre 6 e 83 anos de idade, com outro medicamento e não teve nenhum óbito, a Nitazoxanida.

“A minha proposta é iniciar o medicamento precocemente, evitando internações e mortes. Nitazoxanida tem ação antiviral documentada para vários tipos de vírus: influenza, coronavírus, rotavírus, norovirus, VHC, VHB, adenovírus, dengue, Zika, chikungunya, febre amarela, dentre outros. Salvaremos muitas pessoas, reduziremos a morbiletalidade, devolveremos as pessoas para as atividades laborais mais cedo. È um medicamento seguro, já licenciado no Brasil para outros fins e no Brasil tem sete indústrias que produzem a Nitazoxanida, inclusive no Rio de Janeiro”, frisou o médico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

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