Especialista fala do momento e das mudanças no setor imobiliário de Niterói


A crise causada pela Covid 19 mal começou a diversos setores já sentem o peso do que vem pela frente. Conversamos com Cláudia Nazareth, advogada e sócia-diretora da Abidon Nazareth, empresa que atua no mercado imobiliário há mais de 50 anos, que conta nesta entrevista o que mudou em sua atuação no mercado imobiliário desde a entrada do vírus no Brasil e o isolamento social que gerou o fechamento do comércio.

A TRIBUNA – Quais são os impactos no mercado imobiliário diante da pandemia do coronavírus?
Claudia Nazareth – O mercado imobiliário, após crise recessiva que o atingiu recentemente, deparou-se com a pandemia do coronavírus e, consequentemente, com a recomendação de isolamento social da população. Com o intuito de oferecer os serviços de forma consciente e, em respeito aos meus funcionários e clientes, fechamos o estabelecimento uma semana antes do Decreto Municipal. Estamos utilizando todos os recursos tecnológicos possíveis, com a equipe trabalhando em regime de home office, por aplicativo de conversação e também por via telefônica.

AT  – Existe procura por imóveis de venda e locação durante este período de pandemia? Como estão demonstrando imóveis para os clientes?
Claudia Nazareth – A procura diminuiu, porém não cessou. Os corretores estão procurando atender seus clientes de diversas maneiras, seja enviando fotos, filmagens e arquivos, seja adequando cada interesse ou pedido do cliente a uma ferramenta de trabalho viável e apropriada à situação que estamos vivenciando atualmente.

AT – Os inquilinos procuraram a imobiliária para negociar o valor dos imóveis? Como está a negociação?
Claudia Nazareth – Alguns sim,  principalmente os comerciantes que alugam imóveis para o seu negócio e não possuem condições de realizar o delivery de seus produtos. Em relação a esses, está sendo oferecida suspensão parcial do valor do aluguel no período em que o Decreto estiver em vigor, pois este suspende as atividades presenciais comerciais. O valor que deixará de ser pago nesse período de quarentena, será pago quando houver normalização das atividades, podendo ser dividido em várias parcelas, a fim de que o comerciante consiga pagar no futuro.

AT – Quais soluções pretendem adotar para que não sejam prejudicadas as vendas e locações dos imóveis?
Claudia Nazareth – Estamos buscando alternativas para nos adaptarmos à nova realidade. Os clientes interessados nos imóveis, poderão nos contactar, seja por e-mail, aplicativo de conversas, bem como pelas redes sociais. O cliente que desejar visitar um imóvel, poderá acessar nosso site. Nosso pessoal irá acompanhá-lo até o imóvel, mantendo a distância recomendada pelo Ministério da Saúde, usando luvas e máscara. Também estamos oferecendo visita virtual, onde o corretor se deslocará até o imóvel escolhido e, em tempo real, através de ligação de vídeo pelo celular, demonstrará o imóvel para o cliente. A moradia é item básico e não podemos paralisar totalmente os trabalhos, existem pessoas que precisam alugar para morar ou investir seu dinheiro no mercado imobiliário. São diversas necessidades que nos fazem manter dia após dia trabalhando para suprir essa demanda.

AT – O momento é bom para investir em imóveis?

Claudia Nazareth – O momento é ideal para investir em imóveis em virtude da volatilidade de outros investimentos. Investir em imóvel é sempre seguro, ninguém pode mexer no direito real da propriedade. Os imóveis desde 2015 vieram se adequando a um valor justo, hoje estamos bem diferentes do que na época em que houve o ‘boom imobiliário’, a famosa bolha imobiliária inexistente atualmente.

AT – Como está a questão jurídica relacionada aos despejos nesse período de pandemia? E como ficam as taxas de condomínio?

Claudia Nazareth – Os despejos por falta de pagamento estão suspensos até outubro deste ano. A regra vale para ações ajuizadas a partir de 20 de março de 2020, data de publicação no Diário Oficial da União (DOU) do decreto que reconhece estado de calamidade pública no país. O pagamento dos condomínios está normal, os funcionários dos prédios precisam receber seus salários. Em alguns, está ocorrendo um desconto, pois a conta de luz diminuiu por não haver tanta circulação de pessoas em elevadores. Quando o condômino comprova que ficou sem renda, os síndicos estão tentando dar um desconto para essas pessoas, usando o fundo de reserva, para ser coberto por essas pessoas, após a normalização de suas atividades laborais.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

quatro × 2 =