Especial 2021- As pessoas queridas que enchem Niterói de saudade

O ano de 2021 foi marcado por muitas perdas de figuras muito queridas, ilustres, fundamentais para Niterói, para o Brasil, para o mundo. Ficaram a dura saudade do sorriso do ator Paulo Gustavo, a genialidade e generosidade do artista plástico Cláudio Valério Teixeira, o jeito humano de tratar a saúde pública, marca de Gilson Cantarino e a delicadeza e energia do eterno Papai Noel oficial de Niterói, Sohail Saud. Como dizia um trecho da Canção do exílio, de Gonçalves Dias, “Minha terra tem palmeiras; Onde canta o Sabiá; As aves, que aqui gorjeiam; Não gorjeiam como lá… Não permita Deus que eu morra; Sem que eu volte para lá; Sem que desfrute os primores; Que não encontro por cá”. A TRIBUNA agradece toda a contribuição, generosidade e dedicação das pessoas que enalteceram a cidade e contribuíram para um mundo melhor.

FEVEREIRO

No dia 2 o médico otorrinolaringologista Luiz Fernando Pires de Mello morreu aos 78 anos. Ele estava internado no Hospital Niterói D’Or, em tratamento contra a Covid-19. A Clínica Pires de Mello, que fundou, em Niterói, há 59 anos junto com o irmão Luiz Rogério, é referência na especialidade no estado do Rio. Chefiou o Serviço de Endoscopia Peroral do Hospital Federal de Bonsucesso. Ao longo de uma vida toda dedicada a Medicina atendeu milhares de pessoas.

MARÇO

No dia 14 a muito querida e ‘eterna primeira dama’ Ismélia Saad Silveira morreu aos 92 anos. A viúva do ex-governador Roberto Silveira foi vítima de uma insuficiência respiratória devido um linfoma. Ismélia casou-se em 1951, aos 21 anos, com o ex-governador Roberto Silveira, que tinha 28 anos. Tiveram três filhos: Jorge Roberto, ex-prefeito de Niterói, ex-deputado e jornalista, Dôra (museóloga e historiadora) e Márcia (socióloga).

Também no dia 14 o fotógrafo Paulo Bittencourt não resistiu à Covid-19 e morreu aos 65 anos. Ele foi diagnosticado com a doença, demorou a procurar tratamento, teve que ser internado, foi entubado mas não respondeu bem ao tratamento. Paulo Bittencourt trabalhou na assessoria de imprensa da Prefeitura de Niterói e passou por alguns jornais como O Fluminense. Fez centenas de trabalhos fotográficos em inúmeros eventos sociais da cidade. Foi fotógrafo de A TRIBUNA, que lamenta a perda do excelente profissional. Bittencourt deixou dois filhos, Paulo Júnior e Madeleine, e a companheira Ana Lúcia Ribeiro.

No dia 18 o ex-vereador de Niterói Renatinho do PSOL morreu também vítima da Covid-19. Ele era subsecretário de Direitos Humanos na Prefeitura de Niterói e defensor da luta pela inclusão e acessibilidade. Renatinho foi vereador por cinco mandatos e presidente da Comissão de Direitos Humanos na Câmara por 10 anos. Trabalhou durante anos como vendedor ambulante e tinha uma banca na esquina das ruas Gavião Peixoto e Pereira da Silva, em Icaraí. A prefeitura instituiu no local a “Esquina Renatinho”.

No dia 20, o médico alergista e professor universitário José Seba morreu aos 75 anos, em sua própria residência, em Icaraí, de câncer. Figura conhecida e atuante na cidade de Niterói trabalhou no Hospital Universitário Antônio Pedro (Huap) e deu aula no curso de medicina da Universidade Federal Fluminense, onde também foi diretor do Instituto Biomédico. Também atuou como Secretário de Ações Estratégicas e Inovação no governo do ex-prefeito Rodrigo Neves.

No dia 24, Niterói perdeu um de seus maiores e melhores jornalistas: Mário Dias, aos 78 anos. Uma das figuras mais alegres e conhecidas da cidade, ao longo de quase 60 anos de profissão, emprestou seu talento para diversos veículos. Prestes a completar 60 anos dedicados à profissão, o jornalista, produtor, radialista e escritor, não resistiu a uma cirurgia para a retirada de um tumor no intestino. Natural de São Gonçalo, Mário Dias se firmou na profissão na antiga capital fluminense, onde atuou em diferentes jornais como A Tribuna, Jornal de Icaraí, que ajudou a fundar com Jourdan Amóra e o Fluminense, nesse último responsável por uma sessão dedicada a cobrir o dia a dia das comunidades mais carentes da cidade.

ABRIL

No dia 27 um dos maiores restauradores do país e do mundo, o artista plástico Cláudio Valério Teixeira, também deixou um legado de saudade. Aos 71 anos Valério estava em tratamento contra um câncer no pulmão e não resistiu à doença. Em Niterói, Cláudio atuou como secretário de Cultura e foi presidente da Fundação de Artes de Niterói (FAN). Participou de projetos importantes, como a restauração do Teatro Municipal de Niterói, Solar do Jambeiro, Igreja São Lourenço dos Índios, Palácio Arariboia e Capela de São Pedro do Maruí. Além disso, fez a restauração das grandes telas “Batalha do Avaí”, do pintor Pedro Américo, e “Batalha dos Guararapes”, do pintor Victor Meirelles, do acervo do Museu Nacional de Belas Artes, além do famoso painel “Guerra e Paz”, de Cândido Portinari. Professor da Escola e Belas Artes da UFRJ, era membro dos comitês Brasileiro e Internacional de Críticos de Arte.

MAIO

No dia 4 o sorriso do ator e comediante Paulo Gustavo fechou de vez e mobilizou todo o país com sua precoce partida, aos 42 anos, vítima de complicações pela Covid-19. A luta pela vida durou quase dois meses, após ficar internado desde o dia 13 de março na UTI do Hospital Copa Star, no Rio de Janeiro. No dia 21 de março foi entubado com dificuldade respiratória e passou por muitos procedimentos hospitalares, mas não resistiu à gravidade da doença. Ele era casado com o dermatologista Thales Bredas, com quem teve dois filhos, Gael e Romeu. Além disso deixou uma enorme lacuna no coração da sua mãe, Dona Déa Lúcia, ou para os íntimos, Dona Hermínia, e Juliana, sua irmã. Com 17 anos de carreira consolidada, Paulo Gustavo era autêntico e irreverente. Intenso na interpretação de seus personagens e apaixonado pela arte como ofício. A imagem do ator foi eternizada através de duas estátuas fixadas no Campo de São Bento, em Icaraí, feitas pela artista plástica Jo Grassini.

No dia 21 a graciosidade e paciência de Sohail Saud chegou ao fim. Dramaturgo, três vezes diretor geral do Teatro Municipal de Niterói, morreu aos 81 anos por problemas cardiovasculares agravados pela Covid-19. O eterno Papai Noel de Niterói era descendente de libaneses e uma figura querida, engraçada e popular. Ele vestia a roupa do bom velhinho e todo o mês de dezembro fazia uma turnê por hospitais, asilos, orfanatos levando abraços, sorrisos, conforto e presentes. Era apaixonado pela Escola de Samba Unidos do Viradouro onde dirigia uma ala.

No dia 30 o compositor e cantor Dominguinhos do Estácio morreu, em Niterói, aos 79 anos. Ele estava internado no Hospital Estadual Azevedo Lima (Heal) para tratar uma hemorragia cerebral. Ele fazia parte da Ala de Compositores da Unidos do Viradouro e uma intensa participação em várias agremiações do Rio de Janeiro.

JULHO

Reconhecida como uma das mulheres que mais se dedicou à filantropia pedagógica em Niterói, a professora Therezinha Calil Petrus morreu em 10 de julho, aos 90 anos de idade. Viúva de Antônio Petrus Kalil- o Turcão, falecido em 2019, ela deixou dois filhos: Antônio Petrus Kalil Filho, e Marcelo Calil Petrus, este presidente de honra da escola de samba Unidos do Viradouro.

OUTUBRO

Em 21 de outubro a cidade chorou a perda do médico e psicanalista Gilson Cantarino O´Dwyer, que morreu aos 71 anos. Ele implantou o programa Médico de Família em Niterói e foi secretário de saúde do Município e do Estado. Formou-se médico pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em 1975. Pós-graduou-se em Psiquiatria Geral e em Psiquiatria Infantil pelo Instituto de Psiquiatria, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Médico concursado do Ministério da Saúde e da Fundação Municipal de Saúde de Niterói, assumiu em 1984 a Secretaria Executiva do Projeto Niterói, pioneiro nas Ações Integradas de Saúde e responsável pela formulação de um novo modelo de assistência à saúde da população. O Hospital Oceânico, em Piratininga, na Região Oceânica, foi batizado com o seu nome.

NOVEMBRO

Dia 13 foi marcado pelo falecimento da professora emérita da UFF Maria Felisberta Trindade, aos 91 anos, uma das maiores referências em educação pública da história de Niterói. Era graduada em Pedagogia, com especialização em Orientação Educacional e Mestre em Educação. Em 1985, ingressou na Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense, onde exerceu vários cargos, dentre eles, o de Diretora de 1992 a 1995. Durante sua trajetória profissional e de cidadania, a professora Felisberta recebeu diversas homenagens como militante na luta pelos Direitos das Mulheres e pela defesa da Educação Pública, se tornando uma referência não só em Niterói, mas em todo o Brasil nesses temas.

Dia 23, aos 81 anos, Ivan Moraes Galindo também deixou esse plano terrestre. Presidente do Corpo Consultivo do Clube Central, em Icaraí, ele morreu em decorrência de um infarto. Galindo foi presidente executivo e do Conselho Deliberativo, além de ser conselheiro nato do clube. Também foi um dos fundadores e idealizadores da Associação de Clubes de Niterói (ACN). Nos últimos anos, à frente do Corpo Consultivo do Clube Central, ao lado de grandes centralianos como José Tude e Marcos Nelson, Ivan comandou o movimento de resgate das tradições do Clube Central.

As principais perdas nacionais

JANEIRO

Genival Lacerda aos 89 anos

FEVEREIRO

José Maranhão aos 87 anos

MARÇO

Leo Rosa aos 37 anos

Paulo Stein aos 73 anos

Hélio Fernandes aos 100 anos

ABRIL

Agnaldo Timóteo aos 84 anos

Levy Fidelix aos 69 anos

Aloy Jupiara aos 56 anos

MAIO

Eva Wilma aos 87 anos

Bruno Covas aos 41 anos

Nelson Sargento aos 96 anos

MC Kevin aos 23 anos

Jorge Picciani aos 66 anos

JUNHO

Artur Xexéo aos 69 anos

Camilla Amado aos 82 anos

Carlos Langoni aos 76 anos

Luiz Fernando Ribeiro do Carmo (Laíla) aos 78 anos

JULHO

Orlando Drummond aos 101 anos

AGOSTO

Tarcísio Meira aos 85 anos

Paulo José aos 84 anos

Alicinha Cavalcanti aos 58 anos

SETEMBRO

Luis Gustavo aos 87 anos

Sérgio Mamberti aos 82 anos

Tarcísio Padilha aos 93 anos

Dudu Braga aos 52 anos

Carlos Neder aos 67 anos

OUTUBRO

Gilberto Braga aos 75 anos

NOVEMBRO

Marília Mendonça aos 26 anos

Cristiana Lôbo aos 64 anos

DEZEMBRO

Mila Moreira aos 75 anos

Monarco aos 88 anos

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