Espaço Cultural dos Correiros apresenta exposição sobre imagens

Por que a representação do feminino está associada à fragilidade e delicadeza? Como se constroem esses estereótipos no indivíduo? Que mensagens passamos à criança ao entregar em suas mãos uma boneca Barbie ou um tanque de guerra? Essas são algumas das questões propostas por Júnia Azevedo na exposição individual “Quarto de Hipólita”, que entra em cartaz no Espaço Cultural Correios Niterói. A mostra, com curadoria de Lia do Rio, acontece de 7 de julho a 8 de setembro de 2018, com entrada franca.

Na exposição, bonecas do tipo Barbie enfrentam situações dramáticas, duras e cruéis, bem longe do mundo de fantasia proposto pela indústria de consumo. Serão exibidas cerca de 30 obras, entre objetos, fotos e vídeo, que refletem sobre beleza, moda, comportamento, consumismo etc., convidando a um “desprincesamento” da mulher. “Não se trata de uma proposta de brinquedos para as crianças, mas de uma reflexão sobre a construção do imaginário feminino por meio das brincadeiras infantis”, explica ela. O nome da exposição é uma referência à Hipólita, mítica rainha amazona, lendária por sua força e valentia na antiguidade grega.

“Júnia nos transporta a um universo onde o lúdico e a ficção se fundem, permeados de símbolos e lembranças de infância. As bonecas nos convidam a entrar num estranho jogo entre o real e o imaginário”, conta Lia do Rio. O trabalho artístico é um desdobramento do livro O Ser-se, lançado por Júnia em 2014. O romance aborda a reconstrução da identidade de uma mulher impulsionada pelo processo de psicanálise após uma crise existencial. As reflexões do livro ganharam corpo por meio da intervenção em bonecas e, desde 2015, elas vêm sendo registradas pelo fotógrafo Diogo Calil.

Nascida em 1965 e formada em comunicação social pela PUC-RJ, Júnia Azevedo trabalhou com criação publicitária por 11 anos, em agências de publicidade no Rio de Janeiro. Depois migrou para as áreas de Marketing e de Comunicação. Em 2014, publicou seu primeiro romance, O Ser-se. O livro desdobrou-se em um projeto de arte. Em dezembro de 2016, participou de uma exposição coletiva, na Galeria Virtual Eixo. Em novembro de 2017, expôs no Midrash Centro Cultural, instituição sem fins lucrativos idealizada pelo rabino Nilton Bonder, no Rio de Janeiro, com curadoria de Lia do Rio. Em maio de 2018, realizou residência artística na Casa Duna, Centro de Arte, Pesquisa e Memória de Atafona, com coordenação de Fernando Codeço e Júlia Naidim. Frequenta a oficina de escultura de João Carlos Goldberg, na Escola de Artes Visuais do Parque Lage.

A visitação pode ser vista de segunda a sábado, das 11h às 18h (exceto feriados), a entrada é gratuita e o Espaço Cultural Correios Niterói fica na Av. Visconde do Rio Branco, 481 no Centro de Niterói. Mais informações pelo telefone (21) 2622-3200.

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