Escalada de jovens baleados estarrece toda população

Os últimos dias têm sido especialmente dolorosos para a população do Estado com a divulgação de uma sequência de ocorrências, na qual num intervalo de cinco dias pelo menos seis jovens foram vítimas de casos de balas perdidas em vários pontos do Rio. Durante a apuração dos casos, pelo menos em quatro ocasiões as vítimas passavam em locais onde estariam ocorrendo ações policiais. Em um dos casos, a vítima foi o atleta da divisão de base do América, Dyogo Coutinho, de 16 anos, que morreu na segunda-feira, ao ser balado durante uma operação realizada na comunidade da Grota, em São Francisco, Zona Sul de Niterói, caso que estarreceu e comoveu toda cidade. Outra triste sequencia de ocorrências semelhantes, aconteceu no ano passado, quando num intervalo de 48 horas, oito pessoas foram vítimas de “balas perdidas” na cidade, sendo três crianças, e sete supostamente em casos de confrontos ou perseguições entre policiais e suspeitos de crime.

Outra vítima foi a jovem Margareth Teixeira, de 17 anos, morreu baleada na noite de terça-feira, por bala perdida na Comunidade do 48, em Bangu, Zona Oeste, do Rio. Seu filho, de 2 anos, também foi ferido por um tiro no pé. Outro caso que causou comoção foi a morte do repositor de supermercado Henrico de Jesus, de 19 anos, atingido durante um confronto ocorrido entre marginais e policiais, em Magé, na Baixada Fluminense.

Ocorrências como essas, e outras que não foram citadas, remetem para o polêmico assunto do crescente número de confrontos ocorridos no Rio esse ano, que aumentou na ordem de 25%, segundo dados do Observatório de Segurança.

Homicídios caem, mas crescem mortos nas intervenções
De acordo com a plataforma Fogo Cruzado, de janeiro a agosto, o Rio teve 1.452 confrontos ou seis enfrentamentos a tiros por dia. O polêmico saldo desses números não é a redução do número de homicídios dolosos (com a intenção de matar), mas o aumento de mortos por intervenção policial. “Tenho certeza e convicção de que ao enfrentar o crime organizado com armas bélicas, só uma resposta pode existir. Na mesma intensidade, o nosso armamento também será usado. Aqueles que nos enfrentam serão abatidos. Isso não é incitar a violência, mas é fazer cessar a violência (…) Aqueles que querem mudar a versão dos fatos, tumultuar a democracia, escolheram um lado. Um lado oposto ao meu e ao dos policiais. Oposto aquilo que a democracia exige. Escolheram o lado do terrorismo”, afirmou o governador Wilson Witzel em uma das recentes cerimônias de entrega de novos equipamentos para patrulhamento policial e combate a violência no Estado.

De 100 atingidos por bala perdida, de acordo com a plataforma Fogo Cruzado, 25 morreram e 75 ficaram feridos, até o mês de julho, mais (19% a mais de vítimas fatais) do que no mesmo período do ano passado, 21 mortos e 79 feridos. Ainda entre os atingidos por balas perdidas esse ano, estão sete crianças, com até 12 anos, 11 adolescentes, até 18 anos, e oito idosos, com mais de 60 anos. Três agentes de segurança também foram baleados apesar de não participarem de confronto. Neste grupo, morreram em decorrência do ferimento duas crianças, dois adolescentes e três idosos. Nesse último caso, pelo menos dois casos foram registrados em São Gonçalo.

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