ENTREVISTA: Marlos Costa – Ex-Vereador de São Gonçalo

Mobilidade urbana, geração de emprego, representatividade do Leste Fluminense e união das forças progressistas. Essas foram as pautas levantadas por Marlos Costa (PT), pré-candidato a deputado estadual nas eleições de outubro em entrevista para A TRIBUNA.

Nascido em Santaluz, na Bahia, no ano de 1974, Marlos Luiz de Araújo Costa veio ainda menino para São Gonçalo. Graduado em Direito pela UFRJ, ele já foi vereador por duas ocasiões na segunda cidade mais populosa do Estado. Por isso, fala com propriedade que o Leste Fluminense perdeu o protagonismo e a representatividade na criação de políticas públicas para a região, desde a fusão em 1975.

“O que vejo hoje no cenário do estado é uma deficiência na representatividade no leste fluminense, temos poucos deputados pro tamanho do eleitorado, a população que temos aqui. São Gonçalo não elegeu nenhum deputado estadual em 2018, ou seja, o segundo eleitorado do estado não está representado”, disse Marlos, que foi candidato a vice-prefeito em 2020, na chapa com Dimas Gadelha.

Para ele, os problemas das cidades metropolitanas como Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Maricá, estão correlacionados. Por exemplo, na questão da mobilidade urbana. Segundo Marlos, essas questões não são debatidas na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

“Por exemplo na modalidade urbana, quando temos um engarrafamento no Centro de Niterói muitas vezes isso vai atingir o Centro de São Gonçalo, a região do Shopping São Gonçalo. Se a gente pensar na RJ-104, vai atingir ai o Novo México, Tribobó. Se tiver engarrafamento em Tribobó, chega em Maricá. Então, o Estado tem essa responsabilidade, de discutir a região metropolitana e eu não vejo um planejamento nos últimos governos em relação a nossa região”, afirmou.

Outro ponto crucial para a retomada do protagonismo da Região Metropolitana para o servidor público concursado no Tribunal de Contas do Estado do Rio é a geração de emprego e renda. Ele cita que a indústria naval quando estava em operação e funcionamento cumpria esse papel, mas com os estaleiros fechados, essas oportunidades se esvaziaram, gerando desemprego.

CRÍTICAS A CLÁUDIO CASTRO, O “NOVO RICO”

Vencedor nas eleições municipais de 2020 contra a chapa Dimas-Marlos, o prefeito de São Gonçalo Capitão Nelson (Avante) está aproveitando os recursos estaduais que chegaram na cidade, após a venda da Cedae. No entanto, para Marlos, não houve planejamento na utilização desses recursos, e que não há informações sobre como está sendo utilizado. O pré-candidato a deputado estadual ainda ironizou o modo como o atual governador Cláudio Castro (PL), distribuiu a quantia.

“Sobre a venda da Cedae, todo mundo tem um consenso de que o tratamento de esgoto no Estado do Rio, especialmente na Região Metropolitana, é muito falho. Principalmente São Gonçalo, que trata pouquíssimo o esgoto. Só que foi feita a concessão e o que a gente percebeu é que o governador parece um novo rico: um milionário deslumbrado, distribuindo dinheiro para todo mundo. O que vemos é o Estado asfaltando ruas já asfaltadas na Região Metropolitana, fazendo operações tapa-buracos indiscriminadas, sem nenhum planejamento na utilização do recurso”, comentou.

Marlos também lembrou que existem estruturas na cidade de São Gonçalo que sofrem com o descaso, segundo ele, do Governo do Estado. Foram citados o Hospital da Mãe, no Colubandê, e o Piscinão de São Gonçalo, às margens da Niterói-Manilha.

“Uma obra que está parada há muito tempo é o Hospital da Mãe, no Colubandê. Está la o esqueleto, há pelo menos três governos estaduais. Começou no governo Cabral, passou por Pezão e nada aconteceu. Passou o Witzel, que sofreu impeachment e nada. E Cláudio Castro nada fez, a obra continua lá abandonada. E outras responsabilidades como, por exemplo, o Piscinão, uma área de lazer completamente abandonada. A Fazenda Colubandê, um patrimônio histórico do Estado, que foi saqueada ao longo dos últimos governos do Estado, e é uma área também estadual. Então o que percebemos na nossa região é o maior descompromisso, despreparo do governo do Estado em atender a população do Leste Fluminense”, lembrou.

LULA E RODRIGO

Destacando a representatividade da Região Metropolitana no Governo do Estado, Marlos destacou que o nome de Rodrigo Neves (PDT), pré-candidato ao Executivo Estadual, resume isso. Além disso, evidencia um racha no PT em torno do candidato da esquerda, que também possui o quadro do deputado federal Marcelo Freixo (PSB). Entretanto, o pré-candidato à Alerj disse que é preciso união entre as forças progressistas, e ressaltou o currículo do ex-prefeito de Niterói.

“As convenções vão acontecer no final de julho, e início de agosto, e ainda há um quadro de uma certa indefinição. Espero que possamos ter uma unidade maior nesse campo. Eu vejo, por exemplo, o Rodrigo Neves, uma candidatura muito importante pro campo progressista. É uma pessoa que tem vasta experiência tanto como parlamentar, quanto no setor publico. É o nome extremamente capacitado para assumir o desafio imenso que é governar o Rio de Janeiro. Tenho muita simpatia ao nome do Felipe Santa Cruz, que é um advogado bem experimentado e poderia estar compondo uma aliança com o Rodrigo” falou, antes de concluir:

“Acho que deveríamos ter uma unidade maior das forças progressistas. É fundamental para que consigamos derrotar o bolsonarismo no Rio de Janeiro. E não tenho dúvida que para presidente da República todos deveriam estar com Lula. Ele é o candidato que vai derrotar Bolsonaro em nível nacional, e vamos trabalhar para que ele seja o candidato e o presidente mais votado do Rio de janeiro. Isso não tenho dúvida nenhuma pelo que tenho encontrado na rua, a receptividade das pessoas em relação a volta do ex-presidente”, concluiu.

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