Entrevista com o deputado federal Francisco D’Ângelo



O deputado federal Francisco D’Ângelo (PDT-RJ), concedeu entrevista A TRIBUNA expondo sua opinião como médico em relação ao coronavírus. Confira a entrevista:

1- A TRIBUNA: Como o senhor viu as declarações do presidente Bolsonaro em rede nacional para que as pessoas voltem a trabalhar para não prejudicar a economia do país?

Francisco D’Ângelo : O Bolsonaro já é considerado em todo o mundo o mais irresponsável de todos os presidentes e chefes de estado do planeta. O Washington Post em editorial considera ele o pior líder do mundo por minimizar riscos do coronavírus. É um presidente despreparado, desqualificado um verdadeiro aloprado. Manter o isolamento social é fundamental para conter a epidemia e salvar vidas.

2 – AT: Diante do quadro atual qual o clima no Congresso em relação a proposta de adiar as eleições?
FD: A Câmara está nesse momento cumprindo o seu papel e votando propostas para socorrer os Estados e os Municípios que é onde as pessoas vivem. E também proteger os mais vulneráveis nesse momento dramático da vida dos brasileiros. Qualquer proposta quanto a eleições nesse momento é precipitado como o TSE tem se posicionado.                              


3 – AT: Como o senhor avalia o desempenho do prefeito de Niterói com relação ao coronavírus?
FD: O prefeito Rodrigo Neves tem tido um desempenho exemplar nesse momento da epidemia. Aliás, se tornou uma referência nacional pelas várias iniciativas que tem tomado. Seja na área econômica, social e de saúde. Trabalhador, bom gestor, com boa visão de planejamento com prioridades e foco. Tenho recebido elogios a ele de deputados federais de vários estados do Brasil sugerindo inclusive em seus munícipes as iniciativas tomadas por ele.

4 – AT:  O prédio semi abandonado do Iaserj não poderia ser utilizado neste momento?
FD: Nesse momento de prioridades com urgência é preciso investimentos em locais que estejam em boas condições. O prefeito teve vários pedidos de reativação do hospital Santa Cruz, por exemplo, mas uma parte técnica da Prefeitura avaliou o local como muito abandonado o que geraria muito custo com reformas para se fazer com muito pouco tempo para isso.    

5 – AT: Como o senhor analisa esse momento de união mundial e dos políticos face à crise do coronavírus?
FD: O mundo será outro após essa profunda crise que todos vivemos, seja na economia, na questão comportamental e fundamentalmente na valorização da saúde. A pauta do enfrentamento à desigualdade social e a necessidade de melhor distribuição de renda terão prioridade no mundo.

6 – AT: Qual balanço que faz de viver essa atuação como deputado e diante da situação da saúde da região metropolitana?
FD: Como deputado Federal do Rio de Janeiro vejo com preocupação a situação da saúde na região Metropolitana do em função de graves problemas básicos em vários municípios como saneamento, fornecimento de água e bolsões de miséria nos municípios da Baixada Fluminense, São Gonçalo e Itaboraí.

7 – AT: O que o senhor acha da ideia que está surgindo de redução do salário dos congressistas nesse período da pandemia?
FD: A crise, nesse período da pandemia, deve ter cota de sacrifício dos três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário.

8 – AT: O que o governo pode fazer para amenizar os impactos da crise econômica que se inicia com a paralisação das atividades. Empresários estão preocupados em como vai pagar seus funcionários.
FD: Paulo Guedes prometeu pacote de ações para minimizar prejuízos relacionados ao problema sanitário neste ano. Entretanto, até esse momento ainda não vemos a ajuda dos R$ 600,00 para as pessoas que tem cadastro no CadÚnico. Em Niterói, o prefeito Rodrigo Neves não ficou esperando as  ajudas do governo federal e atuou nas dificuldades fiscais do município para blindar a atividade. Mesmo assim, a União deve agir nas possibilidades de estímulo, como redução no juro básico e novas condições de financiamento para empresas.


9 – AT: Houve um despertar  para as desigualdades sociais,  como aproveitar o clima para unir todos os setores em  ações concretas e definitivas para enfrentar os problemas sociais.
FD: Temos que cuidar um dos outros e do mundo. Com o isolamento social precisamos também cuidar de nós mesmos com mais profundidade e sensibilidade, dos amigos, de quem genuinamente amamos, dos vulneráveis que mais necessitam. Cuidar também implica compreender o presente e transformá-lo na direção de outros futuros que poderão superar a crise e melhorar o mundo, cotidianamente.

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