Entrevista com o deputado federal Francisco D’Ângelo (PDT)

O deputado federal Francisco D’Ângelo (PDT-RJ) concedeu entrevista A TRIBUNA expondo sua opinião como médico em relação ao coronavírus. Segundo D’Ângelo, o vírus tem uma capacidade de se disseminar de forma rápida, característica peculiar das epidemias. “O Brasil vai viver o auge do vírus na terceira semana de abril”, alertou. Ainda conforme ele, o ciclo do coronavírus deve durar cerca de seis semanas. O deputado calcula que mais da metade da população brasileira vai contrair a Covid-19, porém, a maioria não terá sintomas, mas vai transmitir. Sobre a quarentena, disse que a reclusão de indivíduos ou animais sadios pelo período máximo de incubação está sendo fundamental para salvar vidas.

A TRIBUNA – Como o senhor viu as declarações do presidente Bolsonaro em rede nacional para que as pessoas voltem a trabalhar para não prejudicar a economia do país?

Francisco D’Ângelo – O Bolsonaro já é considerado em todo o mundo o mais irresponsável de todos os presidentes e chefes de estado do planeta. O Washington Post, em editorial, considera ele o pior líder do mundo por minimizar riscos do coronavírus. É um presidente despreparado, desqualificado um verdadeiro aloprado. Manter o isolamento social é fundamental para conter a epidemia e salvar vidas.

AT- Diante do quadro atual, qual o clima no Congresso em relação a proposta de adiar as eleições?

FD – A Câmara está nesse momento cumprindo o seu papel e votando propostas para socorrer os estados e os municípios, que é onde as pessoas vivem. E também proteger os mais vulneráveis nesse momento dramático da vida dos brasileiros. Qualquer proposta quanto a eleições nesse momento é precipitado, como o TSE tem se posicionado.

AT- Como o senhor avalia o desempenho do prefeito de Niterói com relação ao coronavírus?

FD – O prefeito Rodrigo Neves tem tido um desempenho exemplar nesse momento da epidemia. Aliás, se tornou uma referência nacional pelas várias iniciativas que tem tomado. Seja na área econômica, social e de saúde. Trabalhador, bom gestor, com boa visão de planejamento com prioridades e foco. Tenho recebido elogios a ele de deputados federais de vários estados do Brasil sugerindo inclusive em seus munícipes as iniciativas tomadas por ele.

AT- O prédio semi abandonado do Iaserj não poderia ser utilizado neste momento?

FD – Nesse momento de prioridades com urgência é preciso investimentos em locais que estejam em boas condições. O prefeito teve vários pedidos de reativação do hospital Santa Cruz, por exemplo, mas uma parte técnica da Prefeitura avaliou o local como muito abandonado o que geraria muito custo com reformas para se fazer com muito pouco tempo para isso.

AT – Como o senhor analisa esse momento de união mundial e dos políticos face à crise do coronavírus?

FD – O mundo será outro após essa profunda crise que todos vivemos, seja na economia, na questão comportamental e fundamentalmente na valorização da saúde. A pauta do enfrentamento à desigualdade social e a necessidade de melhor distribuição de renda terão prioridade no mundo.

AT – Qual balanço que faz de viver essa situação como deputado e diante da questão da saúde da região metropolitana?

FD – Lembro que no dia 8 de março Niterói registrava sua primeira morte pela Covid-19, enquanto a capital do Rio de Janeiro já tinha oito casos. Hoje, Niterói está com 10 óbitos, enquanto o Rio tem mais de 300 mortos. A conscientização do cidadão para o isolamento demorou e logo que a doença passou a ser por transmissão comunitária ficou fora de controle como já informou o Ministério da Saúde. É preciso perseverança na quarentena.

AT – O que o senhor acha da ideia que está surgindo de redução do salário dos congressistas nesse período da pandemia?

FD – Apresentamos uma série de projetos para mandar o máximo de dinheiro possível para o Ministério da Saúde e cortar gastos supérfluos da máquina pública imediatamente. Uma das primeiras propostas e que ainda segue em tramitação, foi cortar 50% dos salários de deputados, senadores, juízes, promotores, enfim, da elite do funcionalismo público para combate ao coronavírus.

AT – O que o governo pode fazer para amenizar os impactos da crise econômica que se inicia com a paralisação das atividades. Empresários estão preocupados em como vai pagar seus funcionários.

FD – Paulo Guedes (Ministro da Economia) prometeu um pacote de ações para minimizar prejuízos relacionados ao problema sanitário neste ano. Entretanto, até esse momento ainda não vemos a ajuda dos R$ 600,00 para as pessoas que tem cadastro no CadÚnico. Em Niterói, o prefeito Rodrigo Neves não ficou esperando as ajudas do Governo Federal e atuou nas dificuldades fiscais do município para blindar a atividade. Mesmo assim, a União deve agir nas possibilidades de estímulo, como redução no juro básico e novas condições de financiamento para empresas.

AT – Houve um despertar para as desigualdades sociais, como aproveitar o clima para unir todos os setores em ações concretas e definitivas para enfrentar os problemas sociais?

FD – Temos que cuidar um dos outros e do mundo. Com o isolamento social precisamos também cuidar de nós mesmos com mais profundidade e sensibilidade, dos amigos, de quem genuinamente amamos, dos vulneráveis que mais necessitam. Cuidar também implica compreender o presente e transformá-lo na direção de outros futuros que poderão superar a crise e melhorar o mundo.  cotidianamente.

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