Entrevista com o candidato a prefeitura de São Gonçalo Brizola Neto

Wellington Serrano

Brizola Neto, 37 anos, é casado e pai de 2 filhos. Neto do ex-governador Leonel Brizola e sobrinho neto do ex-presidente João Goulart, mudou-se para o estado do Rio de Janeiro quando o avô foi eleito governador. Com apenas 16 anos, passou a trabalhar ao lado de Leonel Brizola como seu secretário particular. Aos 25 anos se elegeu vereador. Dois anos depois foi eleito deputado federal quando passou a integrar a lista do DIAP como um dos parlamentares mais influentes e atuantes do país. Reeleito em 2010, enviou cerca de 8 milhões de reais para São Gonçalo através de emendas para obras de infraestrutura. Tornou-se Ministro do Trabalho (2012/2013) e ampliou os direitos das empregadas domésticas com a “PEC das Domésticas ” que concedeu direitos trabalhistas para a categoria como adicional noturno, hora extra, jornada de trabalho e FGTS.

A Tribuna – Na sua campanha, o senhor afirma ser o “novo Brizola, agora com Panisset”. Porque está usando a imagem da ex-prefeita já que sua vice é a irmã dela?
Brizola Neto – Estou encantado com a Aparecida na minha campanha. São Gonçalo tem fama de ser um cemitério de prefeitos como o Charles, Neilton e João Bravo, que são hostilizados na rua. Ela é o contrário. Tem reconhecimento, respeito e carinho da população. E assim, como sou neto de Leonel Brizola, carrego com muito orgulho o nome dele. A Marilena, que é irmã da ex-prefeita, é a mesma coisa, carrega com muito orgulho o nome da sua família. O encontro do eleitorado brizolista com o eleitorado da Aparecida Panisset é muito positivo. Além do mais, a presença da prefeita na nossa campanha não se esgota no pleito. Faço questão de ter do meu lado, na nossa gestão na prefeitura de São Gonçalo, toda a experiência e eficiência que a Aparecida teve nos oito anos em que foi prefeita. Não abro mão de ter Aparecida Panisset compondo nosso governo, ela trabalha muito.

AT – Caso eleito, qual a primeira ação que pretende fazer?
BN – Vamos botar a casa em ordem e moralizar a prefeitura. Por isso vou criar a Secretaria de Planejamento. Precisamos fazer gestão e é fundamental fazer São Gonçalo retomar o desenvolvimento econômico para promover justiça social. Com isso, vamos gerar emprego e renda, melhorar a situação do trabalhador, que hoje faz um deslocamento desumano para trabalhar e ainda vamos incrementar a arrecadação da prefeitura.

AT – Segundo dados do Ideb, nas áreas de educação e saúde, entre 1.607 cidades do Sudeste, São Gonçalo aparece entre os últimos lugares somente à frente de quatro municípios. O que o senhor pretende fazer para reverter essa situação?
BN – São indicadores muito ruins que mostra que precisamos fazer investimentos nestas duas áreas, que são as principais para o desenvolvimento da população. Sei que tem muitas questões para resolver como saneamento básico e mobilidade urbana, mas neste momento em que o país está em crise vamos priorizar o que a população mais necessita. Vou organizar e descentralizar a saúde, reabrir os postos de saúde e o hospital das crianças, atuar na prevenção através dos médicos da família, cuidar do hospital da mulher e novas emergências. Na educação, vamos valorizar o magistério, pagar o piso nacional, incentivar as 40 horas semanais no mesmo local e recuperar as escolas em tempo integral para cumprir uma grande função no papel social e no cuidado das crianças, que serão privilegiadas na minha gestão.

AT – São Gonçalo sofre com o êxodo de criminosos do Rio de Janeiro. E ainda esbarra na violência pontual que é o aumento de roubo de carros e em residências. O que o senhor vai fazer para deixar a cidade mais segura?
BN – A violência em São Gonçalo é muito acima da média nacional. Isso se deve ao fracasso da política de segurança do Estado que achou que poderia através das UPPs eliminar o tráfico e só conseguiu espalhar ainda mais os criminosos que tomaram conta de tudo novamente. A questão da violência tem que ser tratada com oportunidade. Por isso, a médio e longo prazo, como efetivo para melhorar a violência, é levar educação pública de qualidade e garantir as novas gerações mais oportunidade na vida para não serem tragados pelo tráfico. A raiz do problema é isso. E, de imediato, vamos melhorar a iluminação nas ruas e nos pontos de ônibus, construir uma sede adequada para a guarda com monitoramento através de câmeras de vídeo.

AT – O senhor diz que entrou na disputa para defender o legado do seu avô, quais foram?
BN – Existe um legado muito forte na cidade de São Gonçalo do governo Brizola. Muitos programas que aconteceram aqui, como “Uma Luz na Escuridão”, “Prosanear”, que trouxe água para diversas comunidades da cidade; programa “Cada Família Um Lote”, que assentou milhares de famílias em São Gonçalo. Sem dúvida nenhuma, a questão principal do legado do Brizola são os CIEPs, as escolas de tempo integral que carinhosamente foram apelidadas de “Brizolões”. São cerca de 50 CIEPs, que vamos municipalizar e ofertar para as crianças com ensino fundamental com educação pública em tempo integral com modelo pedagógico dos CIEPs.

AT – Qual a sua ideia para melhorar a Cultura da cidade?
BN – Vamos incentivar os movimentos espontâneos e autênticos da cultura gonçalense que têm mais de mil bandas. Vamos descentralizar a cultura e ocupar as praças e melhorar o atual orçamento de R$ 1,2 milhão, que é ridículo. As escolas de circo serão valorizadas e vamos fortalecer e promover os espaços culturais. Sou contra a construção do teatro de 200 lugares com o custo de R$ 14 milhões. Para se ter ideia, o Sesc no Rio tá fazendo um teatro para 250 pessoas por R$ 2,5 milhões.

AT – O município de São Gonçalo precisa de 20 mil moradias para acabar com o déficit habitacional. O que fazer para tirar as pessoas dos abrigos?
BN – Vamos construir uma relação com o governo federal, que criou uma iniciativa importante que foi o Minha Casa Minha Vida e trazer mais unidades. Numa situação emergencial a prefeitura tem que pagar o aluguel social, mas precisamos promover os investimento do governo federal para retirar as famílias dos locais de risco. Vamos construir mais conjuntos de casas populares que sejam destes moradores e perto dos locais onde eles sempre moraram.

AT – Em ano de Olimpíadas e Paralímpiadas qual a carona que o senhor vai pegar para incentivar o Esporte?
BN – Toda Olimpíada traz uma grande lição. Os países que mais se destacam nos jogos são justamente aqueles que juntam o esporte com a educação. E nós temos experiência de matrizes ideológicas completamente diferentes, da EUA com o berço do capitalismo à China com o regime popular comunista. E qual o sucesso destes países nas olimpíadas? É a educação com o esporte. Por isso, vou incentivar o esporte nas escolas. Quero fazer as crianças terem orgulho dos CIEPs, logo no primeiro momento da pré-escola.

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