Entrevista com o candidato a prefeitura de Niterói Flavio Serafini

Wellington Serrano

Flavio Serafini, 36 anos, é niteroiense e professor de Sociologia. Antes de ser eleito deputado estadual pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) do Rio de Janeiro – no posto que está atualmente – foi professor-pesquisador da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio da Fundação Oswaldo Cruz (EPSJV/Fiocruz). A sua história com a militância social começou cedo, aos 16 anos, em defesa do passe livre e do acesso à cultura. Como estudante da UFF fez parte do Diretório Central dos Estudantes, afirmando sempre a defesa da Educação Pública e necessidade de ampliação do acesso à universidade.

Além do trabalho como professor da rede municipal e estadual, desde 2007, se dedica, além de toda sua atuação política, à fundação e construção do PSOL em Niterói, sendo presidente do Partido por duas gestões. Destacou-se na cidade com a luta permanente contra o aumento das barcas e dos ônibus, além de ser atuante nas mobilizações em apoio às vítimas da tragédia das chuvas de 2010, mais conhecida como a Tragédia do Morro do Bumba, mas que teve sérias consequências em mais de 20 comunidades. Na ocasião, foi responsável por criar o Comitê de Solidariedade aos Desabrigados de Niterói.

A Tribuna – Como está o trabalho de sua campanha?
Flávio Serafini – Estamos trabalhando para chegar no segundo turno. Minha campanha continua marcada por uma construção coletiva, sem financiamento do setor imobiliário, das empresas de ônibus e das empreiteiras. O resultado foi a conquista de 18,5% do pleito, totalizando quase 50.000 votos. Seguindo uma linha coerente fui eleito em 2014 com 16.117 votos. Meu mandato é marcado por atuação em frentes como educação, saúde e meio ambiente. Na Alerj, presido a Comissão Especial da Baía de Guanabara e a Frente Parlamentar do Transporte Aquaviário onde apresentei emendas parlamentares para Niterói.

AT – Caso eleito, qual será seu foco central?
FS – Quero garantir que as pessoas vivam bem. Vou cortar cargos comissionados, realizar concurso público para organizar a nossa saúde que hoje está um caos. Ampliar nossa rede de educação que sofre com os desvios das verbas. Pretendo tirar o planejamento urbano da cidade das empreiteiras, da especulação imobiliária e da pressão das empresas de ônibus. É possível rever isso e nossa candidatura está aí para gerar conquistas para beneficiar a vida do povo.

AT – Qual será sua primeira ação de governo, caso seja eleito?
FS – Vou cortar 60% dos cargos comissionados e realizar um concurso na área da saúde pública, que está um caos com três mil pessoas na fila para fazer cirurgia e com falta de medicamentos. Providenciarei urgentemente um concurso público para contratação imediata de 500 médicos, enfermeiros, fisioterapeuta, nutricionista. Vamos extinguir todas as subprefeituras regionais e organizar um secretariados mais profissional, reduzindo terceirizações, acabar com as Organizações Sociais (OS) na saúde e fazer uma administração direta mais barata, eficiente e consumida a garantia dos direitos da população.

AT – Niterói sofre com a violência de criminosos de outros municípios. O que o senhor vai fazer para deixar a cidade mais segura?
FS – Sofremos com a violência porque a cidade é muito desigual. Pretendo fazer com que a prefeitura atue em algumas das causas da violência que estão relacionadas a desigualdade, a falta da garantia dos direitos sociais, ampliação da rede de educação e fazer com que nosso sistema de assistência social funcione. Junto com isso, vamos integrar as forças policiais para agir numa lógica de prevenção, inteligência e respeito aos direitos humanos. Vamos fazer uma coordenadoria onde se reúna permanentemente as polícias civil, militar e federal para planejar e mapear as manchas criminais de Niterói. Vamos iluminar as ruas e pontos de ônibus e atuar com o trabalho espalhado da guarda municipal, que não ficará mas correndo atrás do camelô.

AT – Qual será a sua prioridade para melhorar a Saúde de Niterói?
FS –Expandir o Programa da Saúde da Família. Niterói foi o pioneiro deste modelo que está estagnado e, nos últimos anos, está precarizado com a falta de profissionais e está cada vez pior. Vamos reorganizar e ampliar este programa para 100% da população que tem que ser uma entrada para o atendimento primário para a população que está envelhecendo e precisa de uma assistência.

AT – Para a Educação. Qual o seu compromisso?
FS – Niterói tem hoje a menor rede municipal de educação do Estado do Rio de Janeiro. Menos de 40% das crianças está numa escola municipal. A grande maioria está nas redes particulares e um quantitativo enorme especialmente na educação infantil, ou seja, das crianças até cinco anos, estão fora da escolas, são cerca de 17 mil crianças. Nós vamos ampliar a nossa rede imediatamente com escolas que tenham uma boa capacidade. Porque hoje o que está acontecendo? O governo do estado foi se ausentando do ensino fundamental, a prefeitura não faz nenhuma expansão e mais da metade das nossas escolas não tem quadra e biblioteca. A prioridade é assumir três escolas que estão abandonadas: Os Cieps do Cantagalo e Anísio Teixeira e a antiga escola Fagundes Varela. Vamos ainda convocar todos os concursados da educação para que possamos ter uma ampliação dos profissionais e alunos.

AT – O que o senhor pretende fazer pela Cultura?
FS – Três diretrizes principais: Uma gestão democrática entre os artistas da cidade. Descentralizar a cultura, através da democratização dos acessos, ou seja, fazer com que os nossos equipamentos culturais estejam espalhados por diferentes pontos da cidade e a democratização da produção cultural para fazer com que a prefeitura tenha a política de fazer editais público onde a ocupação dos teatros seja por critérios claros, objetivos, onde todos os artistas da cidade possam participar com oportunidade igual para todos.

AT – Os estaleiros estão agonizando. Como atrair investimentos para a cidade?
FS – Tenho defendido como deputado e vou entrar nesta batalha como prefeito, buscando apoio dos nossos municípios vizinhos, para termos uma expansão dos serviços de barcas. Sou autor de um Projeto de Lei para termos a tarifa social na linha Charitas X Praça XV. Sou autor de uma emenda para tenhamos a estação de São Gonçalo em fim funcionando. E defendo que essa ampliação do transporte aquaviário se dê com a construções de embarcações no próprio estado do Rio de Janeiro como forma de movimentar uma nova cadeia produtiva ligado a um transporte limpo.

AT – O município de Niterói entregou há pouco tempo um conjunto habitacional Zilda Arns cheio de problemas. O que fazer para melhorar as condições de moradias?
FS – Moradia para nós também é uma prioridade. Por isso, a escolha da professora de Arquitetura Regina Bienenstein para ser a nossa vice. Constatamos uma série de falhas na construção do Minha Casa Minha Vida dos moradores do Zilda Arns. Vamos fazer uma política de habitação que seja centrada em levar melhoria de infraestrutura urbana aos diferentes loteamentos.

AT – Qual a proposta para transporte?
FS – Precisamos tirar carros das ruas e temos uma política de aumento de ciclovias na cidade, o que implica na construção de garagens subterrâneas ou verticais. Também defendemos o transporte de massa. Tenho lutado pela barca em São Gonçalo, que vai aliviar o trânsito em Niterói. Isso é importante com o túnel, pois não é possível que a principal desembocadura do túnel seja um catamarã de R$ 18. E defendemos a inserção de um VLT ligando a Região Oceânica ao Centro. A prefeitura errou ao fazer a Transoceânica. Foi um grande equívoco.

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