Entrevista com o candidato a prefeitura de Niterói Felipe Peixoto

Wellington Serrano

Felipe dos Santos Peixoto é niteroiense, casado com Graziela, pai da Clara e da Mariana, tem 39 anos e dedica boa parte de sua história à militância política e à busca por melhorias para o município de Niterói. Formado em Direito pela Unilasalle e em Administração pela UFF, Felipe é especialista em Direito Público, pela Escola Superior da Advocacia, da OAB. Filho de educadores e inspirado nos princípios de Darcy Ribeiro e Leonel Brizola, Felipe sempre acreditou na força da educação como caminho para o desenvolvimento humano. Assim, acredita em uma política participativa e inclusiva, sempre atento aos anseios da população. Felipe iniciou sua militância politica ainda na infância, quando aos 9 anos de idade fundou um Comitê Mirim na varanda de sua casa para a campanha de Darcy Ribeiro a governador do Rio, pelo PDT. Toda a sua adolescência foi marcada pelo ativismo político e pela luta no Movimento Estudantil, tendo participado inclusive do movimento Fora Collor.

A Tribuna – Caso eleito, qual será o principal desafio?
Felipe Peixoto – O endividamento da Prefeitura. Nos dois últimos anos de mandato vamos nos deparar com uma situação muito complicada, que será o início do pagamento da dívida da obra da Transoceânica. Muita gente não sabe, mas o município, em 2012, não tinha endividamento. Hoje, nós temos empréstimos contraídos de cerca de R$ 1 bilhão e as parcelas já começam a ser pagas a partir do terceiro ano do próximo prefeito. Temos um cenário muito pessimista para os próximos dois anos e espero que as atividades econômicas se recuperem para podermos evitar que o município vá a falência, assim como já se encontra o estado.

AT – Qual será sua primeira ação de governo, caso seja eleito?
FP – Vamos limpar a cidade. Desde o primeiro dia teremos mutirões para limpeza dos rios e canais. E essa limpeza não vai ficar só na rua não. Será também dentro da máquina administrativa. Vamos reduzir metade das secretarias, cortar as pessoas que estão nomeadas na prefeitura sem trabalhar e vamos ainda abrir sindicância para poder levantar irregularidades na administração.

AT – De acordo com o seu Plano de Governo o senhor vai pedir para que o público use aplicativo para conseguir transporte?
FP – Sim. Precisamos digitalizar a administração municipal. Isso é uma tendência mundial e saímos na frente fazendo um aplicativo chamado ‘Prefeitura 24h’ onde, na questão de mobilidade, a população com seu smartphone vai poder saber e avaliar as linhas de ônibus, pedir e avaliar os serviços de táxis e ver a questão do estacionamento rotativo que hoje é caro, ineficiente e completamente ultrapassado.

AT – O senhor pretende fazer um Centro de Tradições Nordestina no Largo da Batalha?
FP – O Largo da Batalha tem muitos nordestinos com tradição grande no samba. Então, vamos fazer isso pensando em diversificar a cultura da cidade. Em termos regionais os equipamentos culturais estão concentrados na Zona Sul e pretendemos levar para a região de Pendotiba este grande centro cultural.

AT – Quais seriam as suas propostas para a saúde?
FP – Vamos assumir o Centro de Diagnósticos Rio Imagem e transformar também num centro de especialidades médicas. Vamos botar o programa Médico de Família para funcionar, com remédios, junto aos postos de saúde, que abrirão aos sábados para atender no fim de semana às pessoas que trabalham.

AT – Quais suas propostas para a educação?
FP – Vamos construir creches e ampliar o horário de funcionamento até às 19h. Os pais hoje e as mães não conseguem mais buscar os filhos às 17h porque trabalham fora e ainda enfrentam o problema da mobilidade. Na extensão deste horário a criança será acolhida com atividades esportivas e culturais, ocupando mais o tempo da criança, dando mais flexibilidade para os responsáveis pegarem o filho na creche. Vamos ampliar o número de vagas no ensino fundamental e o ensino em tempo integral será uma realidade em nossa cidade.

AT – Niterói sofre com a violência de criminosos de outros municípios. O que o senhor vai fazer para deixar a cidade mais segura?
FP – Se você pegar e comparar os índices de criminalidade na cidade tivemos um aumento nos últimos anos. O Instituto de Segurança Pública do Estado (ISP) mostra que o roubo de veículos antes da administração do PT do Rodrigo era de 864 veículos roubados, hoje nós temos 1.421. Se pegarmos os roubos aos transeuntes eram 2.500 em 2012, no ano seguinte tivemos 3.581. Nos roubos a estabelecimentos comerciais tivemos 245 em 2012 e no ano seguinte tivemos 380. Roubo de telefones em 2012 era de 101 e chegamos ao ponto de termos 465 no ano passado. Os roubos no geral saíram de 4.611 em 2012 para 6.432, em 2104. Comparando os homicídios, só este ano no primeiro trimestre tivemos 34 enquanto no mesmo período em 2012 tivemos 24. Ou seja, esses números mostram a incompetência na gestão da segurança pública do prefeito Rodrigo Neves. E nós vamos montar um centro de monitoramento que funcione de verdade e com ampliação de policiais através do Proeis.

AT – Sobre a mobilidade, qual a sua explicação para tantos engarrafamentos?
FP – Nós tínhamos um programa criado por João Sampaio chamado PITT (Plano Integrado de Transporte e Trânsito), depois pelo Godofredo, com o Plano Diretor de Transportes e Trânsito de Niterói (PDTT) e por último, com o Jorge Roberto Silveira, que atualizou com o programa Jaime Lerner. O Rodrigo simplesmente pegou todo esse histórico de ações que a prefeitura fez, queimou na fogueira e jogou fora inventando a tal da Transoceânica, uma obra que está custando mais de R$ 350 milhões de empréstimos e que na verdade quem vai pagar essa conta somos nós e nossos filhos moradores de Niterói. A Transoceânica é uma obra que não tem sentido ser feita e que está transformando quatro pistas em duas, acabando com metade do retorno, reduzindo 60% da frota e fazendo calçada em locais que não tem demanda. Então, uma obra com graves problemas de planejamento, mas que vamos corrigi-la e levar esse corredor da Região Oceânica até o terminal João Goulart, através do corredor de BRS. E vamos ainda construir o terminal do bairro Caramujo, com parada de todos os ônibus intermunicipais.

AT – O Comperj não veio e os estaleiros estão agonizando. Como atrair investimentos para a cidade?
FP – A corrupção na Petrobras quebrou o Comperj, a indústria naval de Niterói, o estado do Rio de Janeiro e o nosso país. Nós vamos buscar junto ao governo federal para termos um programa de recuperação da indústria naval e vamos pleitear a dragagem do parque naval off shore para trazer competitividade.

AT – O turismo não capitalizou como se previa durante as Olimpíadas. O que o senhor vai fazer para incrementar o setor?
FP – Buscar parcerias. A atividade hoteleira da cidade ainda é muito acanhada, mas o potencial da cidade é gigantesco. Precisamos ter um plano de trilha para incentivar as pessoas a conhecer as nossas belezas naturais e precisamos melhorar a infraestrutura do turismo na cidade e vamos desenvolver os nossos potenciais históricos.

AT – Qual seu projeto para o aterro de lixo no Morro do Céu?
FP – Na questão do tratamento dos resíduos sólidos, no ranking do estado, Niterói está atrás de cidades da Baixada Fluminense como Caxias e Nova Iguaçu. Precisamos incentivar a coleta seletiva de lixo e criar a cultura da reciclagem.

AT – Em ano de Olimpíadas e Paralimpíadas qual a carona que o senhor vai pegar para incentivar o Esporte?
FP – Vamos municipalizar o estádio do Caio Martins. Tenho coragem de falar e fazer isso, e vou modernizar o ginásio. No campo, vou demolir aquela arquibancada que está condenada, que fica ao lado da Rua Lopes Trovão, derrubar a muralha e incorporá-lo a cidade. Vou gerar segurança naquele entorno e fazer um grande parque urbano para Niterói.

AT – O senhor pretende fazer um novo mercado popular?
FP – Sim. Nós temos um mercado municipal no Aterrado de São Lourenço, mas que está fechado. Precisamos recuperar este mercado para potencializar essa área para alavancar o desenvolvimento deste entorno e incentivar o turismo e novas empresas.

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