Entrevista com a candidata a prefeitura de Niterói Danielle Bornia

Wellington Serrano

Danielle Bornia de Castro, de 36 anos, é uma jovem trabalhadora da Rede Municipal da Educação, solteira e LGBT. Única candidata mulher à Prefeitura de Niterói, iniciou sua militância no movimento estudantil na UFF, nunca deixando de pautar a unidade com os trabalhadores. Sempre se destacou pela defesa intransigente dos setores oprimidos, em especial das mulheres, contra o machismo e a exploração que assola a vida das trabalhadoras.

A Tribuna – Existe resistência a presença da mulher na política?
Dani Bornia – Sim. E neste dias de campanha isso tem chamado muito minha atenção. Como é a minha primeira participação no pleito tem muita coisa que nunca tinha parado para pensar olhando de fora e agora consigo perceber que a política é um meio bastante machista ainda e de muita inviabilização das mulheres. E ainda impera, mesmo nos dias de hoje, a ideia de que a política não é para mulher. Sinto na pele o menosprezo quando os homens envolvido com este ambiente me infantilizam e me chamam de menina por ter dificuldade de decorar meu nome, sou uma mulher e meu nome é Danielle. Outros fatores também dificultam a participação das mulheres na política como as tarefas que ainda hoje são delegadas as mulheres na sociedade como o cuidar das crianças, idosos e doentes das famílias, isso toma tempo e dificulta. A questão do machismo na política é um debate importante a ser feito no contexto da sociedade.

AT – Como está a sua campanha nas ruas?
DB – Ouvindo muita indignação do trabalhador. Nesta oportunidade que temos para conversar com eles estamos acolhendo muita revolta com a política que não muda a vida de ninguém, com a crise, as penalidades que fazem com os benefícios conquistados dos trabalhadores para salvar os lucros dos empresários e muita reclamação do desemprego. Sinto o desejo de transformação da sociedade e o nosso programa de governo vem de encontro a essas expectativas.

AT – Caso eleita, qual será o principal desafio?
DB – O problema do desemprego. Na nossa cidade, milhares de trabalhadores compõem a estatística de 12 milhões de desempregados do país. Estamos apresentando um plano emergencial para quem perdeu o emprego que prevê isenção das tarifas de água e luz, e passe livre no transporte, e também um plano para gerar novos postos de trabalho na cidade que será construída por uma empresa municipal de obra pública formada com servidores concursados e com plano de carreira.

AT – Qual será sua primeira ação de governo? A senhora propõe criar Conselhos Populares como vai funcionar?
DB – Vou acabar com o cabide de empregos na prefeitura e colocar os trabalhadores sob o comando decidindo coletivamente. Hoje, não tem necessidade uma estrutura grande no executivo, e que tão pouco decidi na vida do trabalhador. Os conselhos populares significam uma inversão na forma como são tomadas as decisões. Os trabalhadores sustentam a atual estrutura e só têm oportunidade de tomar decisões no período eleitoral. Queremos que o processo de tomada de decisões seja cotidiano para os trabalhadores por local de trabalho, de moradia, como se fossem assembleias populares, para tomar decisões sobre o orçamento, quais obras precisam ser feitas.

AT – Quais seriam suas propostas para a saúde?
DB – Acho que Niterói precisa mudar radicalmente a lógica de como é organizada a saúde na cidade. Hoje tem o predomínio da iniciativa privada, dos planos de saúde, que lucram muito. A estrutura de saúde pública da cidade precisa de investimento, precisa ser ampliada. Defendemos a estatização dessa estrutura privada, que também está precarizada.

AT – Niterói sofre com a violência de criminosos de outros municípios. O que a senhora vai fazer para deixar a cidade mais segura?
DB – Vamos mudar radicalmente a lógica da segurança. Na política de segurança hoje, não só em Niterói, mas no estado inteiro, é predominante o extermínio da população negra e pobre, principalmente. Defendemos um modelo de polícia civil em que os delegados possam ser eleitos pela comunidade com o controle do trabalhador. A lógica da segurança pública hoje é de garantir o patrimônio das empresas e dos ricos. Por isso, defendemos o fim da Polícia Militar que não está dando certo. A prefeitura coloca os trabalhadores da Guarda contra os ambulantes. Isso não pode existir, é um trabalhador coagindo o outro, tem que acabar. Outra tema dentro deste assunto é a segurança das mulheres e das comunidades Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros (LGBT), vamos levar delegacias especializadas neste tipo de atendimento para todos os bairros e punir os agressores.

AT – O que o senhora pretende fazer pela cultura?
DB – Aqui em Niterói, da mesma maneira que acontece na saúde, educação e transporte também existe um objetivo de privilegiar os empresários do setor. Isso produz uma realidade desproporcional, pois os equipamentos público estão muito concentrados no Centro e Zona Sul e nos bairros não existe opção de lazer para os jovens. Visitamos o bairro do Caramujo, por exemplo, e constatamos que a comunidade só dispõem de uma quadra. Essa lógica tem que ser mudada e só vamos conseguir isso com a publicação de editais da cultura para todos. Na minha gestão vamos dar acesso a juventude, trabalhadores e artistas.

AT – Qual o posicionamento do Pstu nestas eleições?
DB – Em todas as cidades que o partido está participando das eleições estamos a favor da campanha ‘fora Temer’ e ‘fora todos eles’ como, Aécio, Bolsonaro, entre outros não nos representam. As eleições não mudam o caminho dos trabalhadores. Só conseguiremos a mudança com luta e as mobilizações. Somos a favor de uma greve geral para afrontar as reformar do Temer e que nós possamos realmente fazer as transformações que os trabalhadores tanto anseiam.

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