Entregas em domicílio cresceram 80% com insegurança

Raquel Morais –

Medo. Insegurança. Gastos extras. Falta de tempo. Esses são alguns dos motivos que facilitam as negociações entre clientes e marcas por meio do delivery. Cada vez mais utilizado pelos niteroienses, o serviço de entrega em domicílio representa aumento na receita de muitos empresários. A Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Niterói prevê esse positivismo em torno de 15%, enquanto em níveis nacionais o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) aponta 76,28% de crescimento: de 1.332 unidades em 2007 para 2.348 em 2015.

O gerente de uma choperia em São Francisco, Alex Sandro Mendonça, trabalha há anos na rede e confirma esse aumento da entrega dos barris de chopp para festas em casa. Se em 2014 alugavam cerca de 40 barris, esse ano o número beira as 60 unidades, apesar da crise. “A Lei Seca também nos favoreceu, mas muitos clientes relatam medo de sair de casa para tomar um chope. Isso é cada vez mais comum e, nesse mercado, conseguimos entrar com bons preços e custo-benefício vantajoso”, apontou. O barril com 30 litros da bebida é vendido por R$ 420 e o de 50 litros por R$ 699.

O vice-presidente da CDL-Niterói, Luis Vieira, confirmou essa ascensão do mercado de entregas. “Muitas empresas que hoje estão sofrendo pela questão da insegurança optam pelo delivery, principalmente o segmento da gastronomia. Com medo de sair na rua, a pessoa prefere ficar em casa, as reuniões estão mais caseiras e esse é um dos caminhos de operacionalidade de negócios”, comentou. Vieira ainda reforçou que as empresas que já trabalhavam com a entrega tiveram aumento em torno de 15% e quem não trabalhava, está começando a oferecer esse tipo de serviço. O presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Niterói (SHRBSN), Américo Figueiredo, também reconhece esse panorama. “As pessoas se sentem seguras em casa e os donos dos restaurantes percebem a diminuição do movimento, principalmente desde o início desse ano”, completou.

Marlon Estebanez é proprietário de uma padaria em Icaraí e disse que o ramo de panificação sempre teve uma boa saída para entrega em casa. Mas agora até mesmo lanches são entregues, principalmente para funcionários de escolas e porteiros, que não podem sair do trabalho.

“Tudo que puder entregar em casa eu prefiro. Acho mais seguro e mais barato. Comer uma pizza na rua é muito mais caro do que em casa, a começar pela bebida, que em restaurante custa muito caro, e em casa compramos um refrigerante dois litros, por exemplo, no mercado e tomamos. Também não preciso ter medo de sair mais tarde para casa, nem dirigir de madrugada”, comentou a dona de casa Léa Gonçalves, de 38 anos.

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