Entregadores marcam nova greve nacional para sábado (25)

No próximo sábado, 25, está marcada a segunda greve nacional de entregadores de aplicativos de delivery. No Rio de Janeiro, o grupo marcou de se reunir na Candelária, de onde vai seguir pela Ponte Rio-Niterói para o Centro de Niterói. Essa é a segunda movimentação da categoria que pede melhores condições de trabalho oferecidas pelas empresas que prestam este tipo de serviço. As questões trabalhistas envolvem taxas baixas para a entrega, bloqueio dos aplicativos sem justificativas, taxa de deslocamento abaixo do que seria justo e custos com combustíveis elevados pela falta de logística no repasse das corridas pelas empresas.

A taxa de deslocamento é uma das reclamações mais recorrentes pelos entregadores que prestam serviço para empresas como Ifood, Rappi, Loggi, Uber Eats e James Delivery.

“Não tem lógica nessa taxa. As vezes somos chamados para uma entrega e estamos com quilômetros de distância e ao mesmo tempo sabemos que tem colegas que estão mais perto que não são chamados. Isso gera um custo absurdo de combustível e gasto do nosso equipamento de trabalho que são nossas motos”, desabafou um motoboy que não quis se identificar com medo de represálias.

“É muito importante continuar o movimento. Temos que lutar e sem luta não há vitória. No sábado será mais impactante. A empresa fala uma coisa e a gente fala outra e a gente fica taxado como doido. Nós temos que ter uma reunião, negociar, ser ouvido de verdade. Os representantes dos aplicativos falam que a manifestação é legitima mas não fazem nada de diferente. Nós ganhamos força e precisamos falar até sermos ouvidos e tudo ser resolvido. Os clientes e comerciantes estão nos apoiando e precisamos resolver essa questão e ter nossas melhorias. A sociedade está começando a nos ver”, desabafou o motoboy Rafael Simões, 37 anos.

Além das questões que dificultam o trabalho alguns entregadores afirmam não receberem suporte e ajuda das empresas em casos especiais, como acidentes, por exemplo. Esse é o caso do motoboy Berlinck Rocha, de 27 anos, que sofreu um acidente no último dia 13, onde quebrou o braço e está sem trabalhar.

“Eu estava indo pegar uma encomenda para o Ifood e me acidentei. Fui para o hospital e fiquei sabendo que quebrei o braço, que está imobilizado. Fiz contato com o Ifood que para minha surpresa colocou impedimentos para me ajudar. Eles afirmaram que só ajudam no custo de acidentes quando esses ultrapassam o valor de R$ 1 mil. Esse não foi meu caso e mesmo assim eu preciso de ajuda para comprar meus remédios”, contou.

No dia 30 de junho milhares de motoboys realizaram a primeira greve nacional para cobrar melhores condições de trabalho das empresas que prestam serviço de delivery. Niterói e São Gonçalo tiveram o movimento que reuniu dezenas de trabalhadores. Em Niterói a concentração aconteceu em frente a Estação das Barcas, no Centro da cidade, e se espalhou em outros pontos como Rua Gavião Peixoto, na Rua Miguel de Frias, em São Francisco e na frente do Plaza Shopping. Já em São Gonçalo o ato foi na Praça dos Ex-Combatentes, no bairro Patronato.

POSICIONAMENTO DAS EMPRESAS

A Rappi informou que reconhece o direito à livre manifestação pacífica. Antes da pandemia, eram realizados focus groups para manter um diálogo aberto com os entregadores parceiros – cancelados por ora. Todos os entregadores parceiros que estiverem em pedido da Rappi estão automaticamente assegurados. Foi criado um fundo para apoiar financeiramente entregadores com sintomas ou confirmação da Covid-19 durante 15 dias. O valor do frete varia de acordo com o clima, dia da semana, horário, zona da entrega, distância percorrida e complexidade do pedido. Sob nenhuma hipótese os entregadores parceiros são bloqueados por exercer o seu direito de manifestar-se. Os bloqueios na plataforma são restritos ao não cumprimento dos Termos e Condições.

As empresas Ifood, Loggi, Uber Eats e James Delivery foram procuradas pela reportagem de A TRIBUNA para comentar o caso mas não se manifestaram até o fechamento dessa edição.

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