Entidade de turismo de Búzios defende funcionamento do setor na pandemia

Alan Bittencourt

O combate à pandemia é uma prioridade em todo o planeta. A segunda onda atingiu o Brasil com a força de um tsunami. Cada município traçou sua estratégia para tentar salvar vidas. Em Armação dos Búzios, na Região dos Lagos, a Justiça decretou o lockdown na quinta-feira. A medida causou revolta entre empresários, comerciantes e trabalhadores do setor de turismo e comércio, que foram às ruas protestar contra o fechamento da cidade.

O prefeito Henrique Gomes (Patriota) foi contra o fechamento total de praias, hotéis e pousadas da cidade. Apesar do lockdown ter sido suspenso no dia seguinte, ele disse que a determinação judicial favorável ao fechamento de Búzios trouxe prejuízos. “Eu tenho que estar do lado da saúde, mas também tenho que estar do lado da economia”, disse.

O Convention Bureau de Búzios, entidade que representa o Turismo e o trade turístico, também foi contra o lockdown, que, só no último fim de semana, teve como consequência o baixo movimento de turistas na cidade.

“O lockdown afetou muito o setor do turismo em Búzios. Mesmo a decisão da Justiça tendo sido revertida logo no dia seguinte, houve muitos cancelamentos de reservas, cerca de 30%. Isso tira a confiança no destino”, disse o presidente do Conselho, Antônio Valente.

Na última segunda-feira, a Prefeitura de Búzios publicou o Decreto Municipal nº 1.536/2020, que mantém o estado de calamidade pública e proíbe a realização de eventos públicos e privados na cidade. O Convention Bureau de Búzios apoiou a decisão da prefeitura de proibir festas durante o período da alta temporada.

“É uma tendência mundial não permitir a realização de eventos que tenham bebida e dança, que aproximam as pessoas. Esses eventos são a cara de Búzios, mas festejar o quê? Não há o que festejar”, afirmou.

O decreto da prefeitura determina que segmentos da economia como academias, restaurantes, bares, supermercados, mercados, quiosques, quitandas e quiosques de praia podem abrir, mas devem operar com redução de 50% de sua capacidade máxima.


Também podem funcionar com metade da capacidade igrejas e templos religiosos, escunas, catamarãs e táxis aquáticos, veículos de cooperativas municipais e veículos de transporte intermunicipal também deverão funcionar com a capacidade reduzida em 50%.

Já os meios de hospedagem estão autorizados a operar com 50% de sua capacidade máxima nos dias úteis e com 70% da capacidade aos sábados, domingos e feriados.

“Quem pretende fazer turismo precisa saber que estará seguro em Búzios. Estão sendo cumpridos todos os protocolos de segurança. Sabemos que o pessoal que produz eventos vai sofrer nesse momento, mas o decreto é necessário, embora não nos atenda plenamente. Mas é a necessidade do momento”, declarou.


Pensando no futuro e mais imediatamente na alta temporada, que já começou, o presidente do conselho do Convention Bureau de Búzios conversou com o prefeito eleito de Búzios, Alexandre Martins (Republicanos).

“Conversamos antes da confusão do lockdown. O Alexandre tem políticas para o turismo. Búzios vive de turismo, é a principal fonte de renda do município. Nosso setor gera empregos para os habitantes de Búzios e também para moradores de outros municípios. Para exemplificar, são 30 mil empregos de moradores de Cabo Frio e São Pedro da Aldeia”.

Antes da pandemia, Búzios recebia turistas principalmente de Argentina, Chile e Brasil. Com a pandemia do coronavírus, os brasileiros não estão saindo do país, o que, de certa forma (apesar das restrições), aqueceu a economia interna.

“Búzios é uma cidade pequena e é mais segura que cidades grandes como Rio de Janeiro e São Paulo. Somos hoje o segundo destino de turistas estrangeiros no país, atrás apenas do Rio de Janeiro; e o sexto destino nacional. A rede hoteleira recebeu treinamento da prefeitura e está totalmente preparada receber os turistas, seguindo todos os protocolos de segurança para evitar o contágio pelo coronavírus. Podem viajar sem medo para Búzios”, afirmou Antônio Valente.

Hotéis, pousadas e demais meios de hospedagem, além de estabelecimentos comerciais, devem disponibilizar álcool 70% para clientes e fazer com que seja respeitado o distanciamento social. O uso de máscara é obrigatório em espaços públicos (inclusive as praias, que estão liberadas) e privados de acesso à população. A multa para quem descumprir a norma é de R$ 700.

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