Enredos críticos vencem na Sapucaí

Anderson Carvalho –

Em uma apuração para lá de emociante, com diversas escolas se revezando no primeiro lugar a cada quesito de notas lido, a escola de samba Beija-Flor, de Nilópolis, na Baixada Fluminense, sagrou-se nesta quarta-feira (14) campeã do Grupo Especial, com 269,6 pontos. Seguida da vice-campeã, Paraíso do Tuiuti, do bairro carioca de São Cristóvão, que obteve 269,5. Ambas apresentaram em seus desfiles muita crítica à realidade social, econômica e política do país, falando sobre racismo, corrupção, violência e miséria. A campeã só foi definida no último quesito, samba-enredo, que era o do desempate. As rebaixadas foram Império Serrano, de Madureira e Acadêmicos do Grande Rio, de Duque de Caxias.

O enredo da Beija-Flor foi “Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pariu”. A Paraíso do Tuiuti lembrou os 130 anos da Lei Áurea com o enredo “Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?”, lembrou que o racismo ainda é muito presente na sociedade brasileira e fez uma crítica às manifestações pró-impeachment em 2016 e ao presidente Michel Temer, com um destaque em carro alegórico caracterizado como o chefe do Executivo transformado em vampiro. O enredo foi desenvolvido pelo carnavalesco Jack Vasconcelos.

O presidente da Tuiuti, Renato Thor, se mostrou feliz com o resultado. “Foi uma resposta de que o enredo de forte envergadura social era o que o Carnaval precisava” disse. Gabriel David, conselheiro da Beija-Flor e filho do presidente Anísio Abraão David, ficou contente pelo desfile ter emocionado as pessoas. “Quando fizemos o enredo ‘Ratos e Urubus, larguem a minha fantasia’, em 1989, ficamos em segundo lugar infelizmente. Ver aquele povo todo cantando na Sapucaí é inexplicável”, afirmou. “O enfoque é a grande vitória deste processo. Fico feliz por esta mensagem ter despertado emoção em tantas pessoas. Agora a Beija-Flor desponta novamente abordando questões sociais”, comemorou Laíla, presidente da Comissão de Carnaval da escola de Nilópolis. “Mais uma vitória. A comunidade ganha sempre. A escola falou aquilo que o povo gostaria de ter falado. Ganharam os dois melhores sambas”, festejou o intérprete Neguinho da Beija-Flor.

Em terceiro ficou a Acadêmicos do Salgueiro, com 269,5; seguida de Portela, com 269,4; Estação Primeira de Mangueira, 269,3 e Mocidade Independente de Padre Miguel, 269,3; que voltarão a desfilar no próximo sábado, entre as campeãs. Em sétimo ficou a Unidos da Tijuca, com 269,1; seguida de Imperatriz Leopoldinense, com 268,8; Unidos de Vila Isabel, 268,1; União da Ilha, 2267,3; São Clemente, 266,9; Grande Rio; 2266,8 e Império Serrano, 265,6.

A Grande Rio e o Império começaram a apuração já penalizadas. A primeira, em cinco décimos, por ter estourado o tempo de desfile em cinco minutos. A segunda, em dois décimos, por ter terminado a apresentação dois minutos antes do tempo mínimo. A Portela, uma das favoritas, começou na liderança, empatada com a Tuiuti, Mocidade e Mangueira. No quesito Evolução, continuaram Portela e Mangueira na frente, isoladas. No quesito Bateria, a escola de Madureira ficou sozinha na frente, seguida por Unidos da Tijuca e Beija-Flor. No quesito Comissão de Frente, a Portela tirou notas baixas e caiu para o quinto lugar. A Beija-Flor passou a liderar, seguida da Mocidade, Tuiuti e Salgueiro. Em Harmonia, a escola de Padre Miguel assumiu a ponta. Já no quesito Fantasias, foi a vez do Salgueiro liderar até o quesito Samba-enredo, cedendo a liderança e o título para a escola de Nilópolis.

Antes da apuração, a presidente do Império Serrano, Vera Lúcian Correa, informou aos repórteres que demitiu os diretores de harmonia da escola.

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