Energia terá redução de tarifas

Geovanne Mendes –

Uma semana após A TRIBUNA revelar que o reajuste menor de energia iria chegar aos consumidores atendidos pela Enel somente em 2018, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) antecipou a revisão dos custos e anunciou nesta terça-feira (14) que a tarifa de energia terá redução média de 6,51% a partir de hoje, sendo 6,24% para clientes de baixa tensão, a maioria residenciais, e 7,12% para os de média e alta tensão.

O motivo para a redução dos valores foi a cobrança indevida no ano passado do custeio de funcionamento da usina Angra 3, que ainda não foi inaugurada. Cerca de R$ 1,8 bilhão deverão ser devolvidos aos consumidores.

“As contas de luz de todos os brasileiros devem ficar um pouco mais baratas em abril, devido ao fim da cobrança irregular e à devolução, que será feita uma única vez. Nos meses seguintes, portanto, as tarifas vão ser impactadas apenas pelo fim da cobrança irregular”,comentou Romeu Rufino, diretor-geral da Aneel, durante uma entrevista ontem à emissoras de TV.

Em nota, a Enel confirmou a redução nas tarifas. Disse que enquanto a tarifa da Enel Distribuição Rio recua, a inflação acumulada nos últimos 12 meses está em torno de 5%, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M).

Segundo José Alves, diretor de Regulação da Enel no Brasil, fatores como o alto índice de furto de energia contribuem para pressionar para cima o valor das tarifas. “As perdas não técnicas da Enel Distribuição Rio, causadas por furto de energia, sobre o mercado de baixa tensão da companhia chegam a 24%”, ressalta José Alves. “A tarifa final repassada aos consumidores poderia ser menor se a situação do furto de energia não fosse tão grave no Estado do Rio”, explica.

Atualmente, o índice geral de perdas da Enel Distribuição Rio em toda a área de atuação da companhia (66 municípios do Estado do Rio de Janeiro) é de 19,38%. Isso significa que quase 1/5 de toda energia distribuída pela empresa é desviada por meio de ligações irregulares, fenômeno que pressiona o valor das tarifas, fazendo com que os consumidores regulares paguem mais do que pagariam se os índices de furto não fossem tão elevados.

O fenômeno tem sido agravado na área de concessão da Enel Distribuição Rio em razão do crescimento de áreas de risco, em que a Enel tem dificuldades de atuar por causa da violência, sobretudo nos municípios da Região Metropolitana do Estado atendidos pela empresa, como Niterói e São Gonçalo. Segundo estimativas da empresa, o número de clientes localizados em áreas de risco cresceu quase 500% desde 2008, passando de 75 mil para cerca de 450 mil – ou 15% da base total de clientes da empresa.

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