Enel corta energia da Prefeitura de São Gonçalo

Aline Balbino

Corredores escuros e funcionários do lado de fora. O expediente foi dessa forma na Prefeitura de São Gonçalo nesta terça-feira (28). O motivo foi inesperado. A Enel, antiga Ampla, cortou o fornecimento de energia elétrica por volta das 8h30min. Às 10 horas, muitos gonçalenses foram à prefeitura procurando atendimento e encontraram as portas fechadas. Segundo a Enel, o corte foi feito em razão do não pagamento de faturas por parte do poder público municipal. A distribuidora informou que só tomou a decisão de interromper o abastecimento de energia após tentar negociar o débito em várias ocasiões.

Entre as unidades que tiveram a energia cortada estão a sede da Prefeitura e a Secretaria municipal de Administração. A companhia não informou os valores dos débitos. Serviços essenciais, como iluminação pública, hospitais e escolas, não foram afetados.

O padeiro René França foi até a prefeitura para regularizar o pagamento do IPTU e se surpreendeu com a falta de atendimento. “Dei com a cara na porta. É uma vergonha. Um absurdo não pagarem nem a luz. Vou ter que voltar para casa. São Gonçalo está abandonada”, disse.

A Prefeitura de São Gonçalo informou que a dívida é antiga, avaliada em R$ 26 milhões. As contas atuais estariam todas pagas regularmente. Segundo a prefeitura, existe uma cobrança sobre a iluminação pública que a prefeitura está questionando, uma vez que a concessionária está cobrando iluminação de áreas que pertenceriam aos governos federal e estadual, como as rodovias Niterói- manilha e Amaral Peixoto, e condomínios particulares.

A prefeitura afirmou ainda que o corte de energia foi feito de forma arbitrária e que a Procuradoria do Município está em contato com a Enel para regularizar a energia. No início da noite a energia foi religada.

Funcionários sem pagamento
Quem está à espera de pagamento são os funcionários. Um grupo de servidores e contratados que esperava para acessar a prefeitura afirmou que está sem o pagamento do 13º salário, além dos vencimentos mensais.

“É um absurdo. Sou concursada e recebi R$ 500 de 13º. Não é nem metade do meu salário. O que vou fazer com esse dinheiro? Eles precisam regularizar nossos salários, que estão atrasados desde novembro”, disse uma servidora que preferiu não se identificar.

Sem transição
Explosivo como sempre, o vice-prefeito eleito Ricardo Pericar (SDD) aproveitou o Facebook para reclamar da falta de respostas a ofícios apresentados pela equipe de transição para o prefeito Neilton Mulim (PR). O imbróglio teve início depois que Pericar pediu a chave do estacionamento da Prefeitura, no bairro Colubandê, para realizar um conserto de um vazamento de esgoto e servidores no local não deram.

Segundo ele, ao mandar o ofício, o prefeito respondeu afirmando que a assinatura do vice-prefeito não tem validade. Inconformado, Pericar mandou um recado para o prefeito em exercício. “Ele antes de ser preso merece uma coça por ter deixado quatro anos a cidade toda e o Colubandê no lixo. Se a minha assinatura não vale a sua vale pra quê? Neilton preferiu ir morar em Maricá para contar o dinheiro dessa roubalheira toda que fez no seu governo”, perguntou indignado.

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