Uma obra polêmica em Búzios

Wellington Serrano –

Com a declaração “de que vai reunir um conjunto de vereadores para visitar a obra que, segundo informações de ambientalistas, não preserva os lençóis freáticos e nascentes dentro de terras quilombolas de Baía Formosa, em Búzios”, a vereadora Joice Costa (PP), manifestou a preocupação dos quilombolas com as obras de expansão da marina para o loteamento Búzios Golf Resort I e II, do Grupo Opportunity.

Segundo ela, é preciso que os empreendedores expliquem melhor a obra para saber se há impacto ambiental. “Por enquanto, só temos informações dos ambientalistas, e muito pouco sobre a construção que pretende garantir como contrapartida uma escola infantil modelo atrás do loteamento São José. Por isso, vamos ao local para saber como militar sobre a questão”, disse a vereadora.

Apesar do Grupo Opportunity ter explicado em audiência pública as etapas deste que é considerado o maior empreendimento privado no Estado, ambientalistas afirmam que existem pessoas que dependem da agricultura para sobrevivência e também para gerar a sua própria renda local que não foram ouvidas. “Com os canais da água do mar que foram abertos até a área de restinga e vegetação nativas, haverá uma grande salinização do lençol freático naquela região que ali se encontra há 40 anos a agricultura de subsistência do povo local pois a comunidade planta para o consumo próprio e também para gerar a sua própria renda, pois não sabemos onde começa o projeto e onde termina. Porém, a comunidade está localizada atrás do empreendimento e precisamos de informação sobre o empreendimento”, afirmou a conselheira Municipal de Meio Ambiente, Elizabeth Fernandes.

Enquanto há discussão sobre os possíveis impactos ambientais que o projeto imobiliário em construção na Marina, que vai criar mil casas (1000) de alto padrão, pode trazer para o município, as máquinas de terraplanagem seguem a todo vapor nas obras do loteamento, área do campo de golf e do aeroporto.

O secretário de Desenvolvimento Urbano, Humberto Alves, confirmou que o grupo já recebeu licenças ambientais do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), que permite modificar uma área de cerca de um milhão de metros quadrados (1.055.424,95 m²) que serão cortados por canais. A área corresponde a 147 campos de futebol e pretende criar ilhas artificiais com o objetivo de deixar toda a área balneável.

“O conjunto de empreendimento segue com as aprovações e as licenças necessárias, inclusive com a aprovação urbanística do município desde do dia 26 de outubro de 2017. A reimplantação da licença, reestruturação e análise do aeroporto no local estão sendo vistoriados pelo promotor do Ministério Público, dr. Vinícius Lameira”, disse o secretário.

Segundo o próprio MP, o estudo apresentado não possui conteúdo relevante para emissão de licenças. Apesar do estudo superficial, o Inea já emitiu duas licenças, incluindo a supressão de vegetação nativa numa área de 11 mil hectares onde é dormitório de várias espécies de pássaro.

Segundo informações, os responsáveis pelo empreendimento estão fazendo novos estudos com a presença do secretário de Humberto Alves, e do secretário de Meio Ambiente , Cássio Cunha, além da conselheira Denise Morand e representantes dos empreendedores, que aguardam parecer da equipe técnica do Ministério Público que, procurada por A TRIBUNA, não se manifestou. Assim como o Grupo Opportunity, que através do site, somente disponibilizou informações sobre corretagem do local.

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