Emoção dividida: alegria pela cura e a tristeza da perda

A triste estatística de 100 mil óbitos revela a dor de famílias que terão de conviver com a dor de ter perdido pessoas queridas para a doença. Não faltam exemplos das mais variadas experiência, desde aqueles que foram pegos de surpresa a quem teve de dividir as emoções de comemorar a cura de um parente com a tristeza de ter que se despedir de outros.

A jornalista Márcia Demézio, de 53 anos, moradora da Ponta da Areia, em Niterói viveu essa experiência. Seu irmão chegou a ficar 28 dias internado, muitos em estado grave, e se recuperou. Já seu pai, de 83 anos, mesmo sem nenhuma doença preexistente, não resistiu.

“Eu perdi o meu pai no dia 2 de abril. Ele não tinha nenhuma doença preexistente, mas teve complicações renais devido a essa doença. Nós não conseguíamos acreditar no que estava acontecendo porque o meu pai era muito saudável mesmo com 83 anos. O meu irmão havia sido internado um pouco antes também por conta da Covid. Então nós pensávamos que o nosso pai estava apenas triste. Ele ficava prostrado, não comia. Chamamos uma médica e ela foi escutar o pulmão dele e notou alterações. Nós o levamos para o Hospital Naval Marcílio Dias, na Zona Norte do Rio, e ele foi diagnosticado com a Covid- 19. O meu irmão ficou 28 dias internado no Complexo Hospitalar de Niterói, chegou a ser entubado duas vezes e se recuperou, porém o nosso pai faleceu”, contou Márcia.

O vírus se espalhou rapidamente na família da jornalista. De acordo com Márcia, sete pessoas da sua família chegaram a ser contaminadas.

“Na nossa família de 13 pessoas, sete foram contaminadas. A minha mãe teve, os dois irmãos meus, a esposa do meu irmão. A gente ainda não sabia bem o que estava acontecendo. Esse vírus tem um comportamento inesperado. A minha mãe possui mais comorbidades que o meu pai aos 84 anos e teve sintomas leves. Depois do falecimento do meu pai todos nós fizemos o teste. Alguns dos parentes souberam que tiveram por terem sido encontrados anticorpos nos exames deles”, declarou a jornalista.

Mesmo após terem sido infectados no começo da pandemia, a família não se descuida quanto aos cuidados contra a disseminação do vírus.

“Nós mantemos os cuidados. Não se sabe ainda até onde vai essa proteção dos anticorpos. Por quanto tempo. Eu ainda não peguei mesmo tendo tido contato. Não dá para saber, tudo é muito novo. Tudo ainda está sendo pesquisado sobre esse vírus. Nós só saímos quando é realmente necessário. Eu não pude me despedir do meu pai. O que nos consolou foi a recuperação do meu irmão”, enfatizou Márcia.

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