Embarcações abandonadas na Baía vão parar no Ministério Público

Raquel Morais –

Nos próximos dias representantes do Movimento Baía Viva (MBV) irão protocolar uma representação junto ao Ministério Público Federal (MPF) e ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) para propor uma destinação correta das embarcações abandonadas na Baía de Guanabara. Essas estruturas são comumente deixadas no mar pelos proprietários quando não podem mais ser utilizadas e, além do risco que podem causar ao ecossistema, essas estruturas servem de abrigo até mesmo para moradores de rua.

A ideia do MBV é destinar essas embarcações para a formação de recifes artificiais em função dos benefícios que geram à natureza. A destinação pode gerar benefícios como a formação de pesqueiro e até mesmo como barreira física para conter a força das ondas em caso de avanço do nível do mar. “Em todo mundo se utiliza esse lixo náutico depois de descontaminado para venda de sucata para reciclagem em siderúrgicas. E também podemos usar como recifes artificiais. Mas para isso é preciso estudo e planejamento. Além de aumentar a vida de espécies marinhas, podem ajudar como uma barreira física para impedir os impactos da elevação do nível do mar, por conta das alterações climáticas. Ainda pode ter um potencial turístico como benefício”, contou o coordenador do Movimento Baía Viva, Sérgio Ricardo de Lima.

A Marinha do Brasil, por meio do Comando do 1º Distrito Naval (Com1DN), informou que nas imediações da Ilha da Conceição existem aproximadamente 50 cascos de embarcações e outros 10 isoladas pela Baía da Guanabara, que foram sendo deixados no local pelos seus proprietários. Nas margens da BR-101, entre Niterói e São Gonçalo, não é difícil ver essas embarcações abandonadas. Algumas estão afundando aos poucos, outras estão completamente enferrujadas e deterioradas com pichações. Também é possível flagrar pessoas dentro dos barcos.

De acordo com o Movimento Baía Viva, os riscos socioambientais e econômicos provocados pela presença de lixo náutico, em especial no trecho entre o Canal de São Lourenço e a Ilha da Conceição, são de vazamento de óleo, graxa e outros produtos tóxicos presentes nestas embarcações. A operação de retirada e descomissionamento precisa ser feita com um Plano de Segurança Ambiental e ter a participação de técnicos responsáveis. “Além disso, o problema de assoreamento e a presença dessas embarcações afundadas também aumentam a sedimentação, o que provoca uma série de impactos econômicos”, completou Sérgio.

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