Embarcações abandonadas na Baía de Guanabara chamam atenção

Raquel Morais –

Na altura do Barreto, na Rodovia Niterói-Manilha, duas embarcações ‘afundando’ estão chamando atenção de motoristas. Os dois grandes barcos estão há meses no local e especialistas apontam os riscos desses equipamentos serem literalmente despejados na Baía de Guanabara. Além da contaminação da água com o derramamento de óleo, a possibilidade das correntes das âncoras arrebentarem e a embarcação ficar à deriva é preocupante.

A primeira embarcação está localizada na altura do Rio Brandão, tem cerca de 40 metros, está com parte da proa levantada e a parte traseira parcialmente afundada. O outro barco está perto da Ilha das Flores, é bem maior e está parcialmente depredado. Pichações, vidros da cabine quebrados e ferrugem são alguns dos problemas registrados pela reportagem de A TRIBUNA.

“Os empresários têm as embarcações que não prestam mais como um prejuízo e por isso abandonam no próprio mar. Eles aproveitam que a fiscalização não é eficiente e adequada e abandonam o navio”, comentou Hélvio Lopes, presidente da Aquadefender do Brasil, empresa de mergulho profissional e infraestrutura portuária.

Hélvio reforçou que os perigos dessas embarcações abandonadas são muitos, como a possibilidade de arrebentar o sistema de içamento da âncora. “Ela pode bater em outro navio ou ficar à deriva. Outra questão é o vazamento de óleo pelo casco: óleo combustível, óleo lubrificante e outros elementos químicos, que podem contaminar a água”, completou o especialista.

O capitão da Marinha Mercante, Francisco Gondar, explicou que geralmente são retirados os óleos desses navios. “Quando eles têm essa possibilidade de vazar óleo é um perigo. A poluição é justamente a diferença de concentração. É preciso tomar muito cuidado, mas quando eles são afundados é criado um bom ecossistema para a vida marinha”, concluiu o também biólogo.

A Capitania dos Portos do Rio de Janeiro (CPRJ) informou que atua de forma proativa nas áreas marítimas da Baía, que são constantemente inspecionadas por suas equipes de Inspeção Naval. Garante que as duas embarcações encalhadas não oferecem risco à navegação e vem conversando com o proprietário, a fim de promover a retirada das embarcações do local. O dono foi oficialmente notificado para que promova tais medidas, obedecendo as regras de segurança necessárias. Diz ainda que há uma terceira embarcação, localizada um pouco mais ao norte e cujo proprietário é o mesmo, encontrando-se na mesma situação de encalhe, tendo o proprietário, também, sido notificado pela Marinha.
O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) foi procurado, mas não respondeu até o fechamento desta edição.

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