Em Niterói, alívio na segurança, angústia na saúde

Em todos os bairros contemplados com o Niterói Presente é nítida a aprovação da população ao programa. No ano passado houve uma redução de 69% dos indicadores de criminalidade em todas as áreas de atuação do programa na cidade. Os dados são do Instituto de Segurança Pública (ISP).

Parceria da prefeitura com o governo do estado, o programa entra em seu quarto ano e só falha na limitação de horário. Segundo a maioria das pessoas ouvidas por esta coluna entre janeiro e março os policiais deveriam permanecer nas ruas 24 horas e não até o começo da noite apenas. “Ou pelo menos até a meia noite”, comentou um motorista de aplicativo que mora em Santa Rosa.

A prefeitura desembolsa R$ 137 milhões por ano para manter o programa que existe desde 2017 com 380 policiais. Em torno de R$ 11 milhões e 400 mil por mês.Sim, é caro. Além do horário restritopercebe-se que há nos cidadãos uma sensação de insegurança causada pelos “humores políticos” já que o Segurança Presente é uma ação que depende exclusivamente do governador e dos prefeitos. Significa que com uma canetada pode virar cinzas.

Há razões concretas para essa preocupação. Por exemplo, o PSOL é abertamente contrário ao programa e caso eleja o governador no ano que vem, por uma questão de coerência e lógicaé quase certo que vá degolar o programa em todo o estado, inclusive em Niterói.O PSOL é transparente, se coloca, mas e aqueles que escondem o jogo?

Antes do programa, Niterói vivia uma guerra civil. Os bandidos invadiam residências, restaurantes, bares, lojas, armados de fuzis, granadas e pistolas. Muitos estabelecimentos comerciais fecharam as portas, em todos os bairros. Ruas eram fechadas à luz do dia por quadrilhas fortemente armadas que faziam arrastões. Dezenas de pessoas foram vítimas, inocentes morreram. O Niterói Presente reduziu drasticamente as ocorrências.

Durante o dia nota-se que o niteroiense se sente muito menos inseguro do que há três anos, mas à noite o medo continua rondando porque os policiais do programa saem de cena.

Se na área de segurança o sentimento é de alívio, na saúde impera a angústia. O niteroiense acompanha os números macabros da Covid-19 que tem superlotado os hospitais de vítimas. Significa que, em caso de um mal súbito, um acidente, uma queda, se a rede hospitalar estiver lotada o que o cidadão deve fazer? Pior: o único hospital público em Niterói capacitado para atender urgências graves, acidentes, AVC, infarto, etc, é o heroico Azevedo Lima, situado no final do Fonseca que é estadual.

É público e notório que por causa dos custos absurdos e covardes dos planos de saúde, milhões de brasileirosjá não conseguem pagar e estão abandonando, utilizando o sistema público. Em Niterói a situação não é diferente.

Em junho de 2017, um ano após o Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro enviar denúncia ao Ministério Público alertando para problemas de superlotação, déficit de recursos humanos, falta de medicamentos e instalações adequadas, o Hospital Universitário Antonio Pedro decidiu fechar a emergência da unidade (a maior de Niterói) quepermanece lacrada até mesmo para pacientes referenciados (encaminhados por outros órgãos de saúde).

A falência da emergência do Hospital Universitário Antonio Pedroagravou a situação aqui na cidade. O HUAP é gerido pela UFF e pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) e é um absurdo que não haja dinheiro nessas instituições para reabrir e manter dignamente a tão vital emergência. Afinal, caso um cidadão sem plano de saúde sofra um grave acidente ou um ataque cardíaco no meio da madrugada, por exemplo, em Itaipu, terá que ser levado para o outro lado da cidade onde fica o Azevedo Lima. Se não tiver vaga deve-se tentar São Gonçalo, ou Rio, ou Baixada Fluminense. Não é justo! É covardia!

O que se espera, na opinião das dezenas de pessoas que ouvimos, é que a prefeitura adapte uma unidade ou construa um hospital que cubra o rombo deixado pelo fechamento da emergência do Antonio Pedro. Por exemplo, Maricá está neste caminho com o hospital Che Guevara que foi aberto com 75 leitos, 20 deles de UTI, 5 de trauma, 10 de suporte e 40 de enfermarias.

Ajustes permanentes fazem parte da gestão pública. Ampliar o horário do Niterói Presente e reduzir seu custo deve ser avaliado pela prefeitura. Na saúde, é urgente que a cidade tenha uma unidade municipal para emergência geral, como o Azevedo Lima que, sozinho, atende toda Niterói e arredores.

P.S. – Como se sabe por causa da Covid-19 os carros de aplicativos são obrigados a circular com os vidros abertos e com o ar condicionado desligado. Por isso muitos passageiros estão sendo vítimas da bandidagem que rouba bolsas, celulares o que estiver mais à mão.

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