Justiça anula julgamento do ‘caso Complexo B’ e determina novo júri

Vítor d’Avila e Augusto Aguiar

Um ano e cinco meses depois, desembargadores da Terceira Câmara Criminal, do Tribunal de Justiça do Rio (TJ), decidiram, na terça-feira (15) por unanimidade, anular o julgamento do advogado Michel Salim Saud e determinar um novo júri.

Ele foi absolvido, em julho do ano passado, da acusação de ser o mentor dos assassinatos de Linete Loback Neves e Manuella Neves da Câmara Coutinho Boueri, respectivamente mãe e sobrinha do estilista Beto Neves, dono da grife Complexo B; e de Rafany Pinheiro Ricardo, namorado de Manuella. Saud irá a novo julgamento ainda a ser marcado. A relatora do recurso que pedia a anulação do júri de 2019 foi a desembargadora Suimei Meira Cavalieri.

Beto Neves afirmou que a decisão da Justiça pela absolvição de Saud foi apertada e cheia de irregularidades. O estilista lembrou que a promotoria do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) entrou com recurso no mesmo dia em que saiu o resultado do julgamento.

“O julgamento foi ano passado e ele foi absolvido de uma forma muito apertada, sendo que quatro homens e três mulheres votaram. O advogado de defesa dele conseguiu absolvê-lo e em uma decisão cheia de irregularidades. A própria promotora recorreu da decisão no mesmo dia”, afirmou.

Ele comemorou a decisão pela anulação da absolvição e está aguardando a realização de um novo julgamento. Para Neves, a decisão tomada no julgamento que foi anulado não tinha lógica.

“Eu sabia que ia acontecer (a anulação), que ainda não tinha acabado. Não tinha lógica. Os outros caras confessaram o crime, estavam presos e de repente ele (Saud) sai ileso, como se ele não tivesse feito tudo o que fez. Eu vejo com bons olhos a Justiça funcionando e aguardo a decisão de um novo julgamento em que se possa esclarecer as coisas. Se o Tribunal Superior, que analisou o recurso, cassou a decisão, acho que a conversa agora vai ser outra”, concluiu Beto Neves

O caso – As vítimas foram mortas a tiros, no dia 27 de agosto de 2013, no interior da residência da família, no bairro de Venda da Cruz, em São Gonçalo. Outros dois acusados de envolvimento no mesmo crime haviam sido condenados em outro júri sobre o caso, ocorrido em maio de 2016. Romero Gil da Rocha e Pablo Jorge Medeiros foram condenados a 57 anos de prisão cada um, em regime inicial fechado, perfazendo 114 anos de sentença, na 4ª Vara Criminal de São Gonçalo.

No dia 27 de agosto de 2013, de acordo com as investigações, Romero e Pablo, junto com um terceiro cúmplice, identificado como Marcos, invadiram a casa da família, e executaram as três vítimas. Consta dos autos que o crime teria como mentor o advogado Michel Salim Saud, por motivo de vingança contra a ex-mulher.Também segundo as investigações, o acusado estaria perdendo ações na Justiça para a ex-mulher.

“Após receberem de Michel o endereço e as fotografias das vítimas, os denunciados Romero e Pablo, em conluio com Marcos, passaram a estudar o local e os hábitos das mesmas, a fim de planejar a ação criminosa”, relatou a denúncia. De acordo com a polícia, Romero era segurança de Salim, e Pablo teria atuado como motorista, no dia do crime. Eles teriam sido contratados pelo mandante. Na ocasião, a Delegacia de Homicídios de Niterói desvendou o crime e apurou que os assassinos receberam R$ 100 mil para cometerem o crime.

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