Em busca de uma chance: niteroiense pede vaga de emprego com cartaz nas ruas

Raquel Morais

“Tenho medo de ser uma decepção para meu filho”. A frase foi dita pelo niteroiense Alexandre Lopes, de 43 anos, que está desempregado desde o início desse ano e mobilizou a internet com um pedido inusitado de emprego. Ele foi fotografado segurando uma placa implorando por uma oportunidade de trabalho para não ser despejado do imóvel onde mora de aluguel, na Ponta da Areia. A foto viralizou na internet e já rendeu três entrevistas de emprego, dezenas de ligações com mensagens de apoio e centenas de promessas de indicações.

Alexandre está desempregado desde janeiro e conta somente com os benefícios sociais que está recebendo por causa da pandemia do coronavírus. O chefe de família mora com a esposa e o filho de 11 anos, que faz tratamento para diabetes e estima cuidados mais delicados da sua companheira. “Ela não trabalha fora para poder cuidar do nosso filho. Eu sou a única fonte de renda da minha família e não ter emprego está me deixando muito triste. Procurei emprego, pedi para conhecidos mas a pandemia agravou ainda mais a minha situação. Então resolvi fazer o cartaz e ir para a rua tentar um emprego de uma forma diferente. Pedir não é feio”, explicou.

No cartaz ele escreveu o seguinte texto: ‘Me ajude pelo amor de Deus a achar um trabalho. Minhas funções são: auxiliar de serviços gerais, garçom, repositor, auxiliar de portaria. Pode confiar em mim. Me indique. Sou um chefe de família querendo garantir o teto da família para não sermos despejados. Nos ajude’. Em seguida colocou o número do seu telefone celular e ficou segurando o papel no sinal da Rua Lopes Trovão, na grade do Campo de São Bento, em Icaraí, na semana passada, além de outras ruas da Zona Sul. “Recebi alguns alimentos de doação. Também vi algumas pessoas anotando meu número e tirando fotos, além de conversarem comigo e querendo saber um pouco da minha história”, explicou o niteroiense.

Desde semana passada Alexandre diz ter recebido muitas ligações de pessoas que prometem ajudar, mas nada de concreto ainda. “Eu fiz três entrevistas de emprego, uma no Rio de Janeiro e duas em Niterói. Estou com muita esperança que vou conseguir um trabalho. Já trabalhei como garçom, auxiliar de serviços gerais e repositor de supermercado. Mas eu preciso e aceito emprego em qualquer área, o que eu quero é trabalhar e poder sustentar minha família. Sinto uma tristeza muito grande em pensar não conseguir colocar comida na mesa da minha família. A dor é muito forte e é de cortar o coração estar nessa situação que estou”, lamentou.

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