Em 20 anos plástico nos oceanos podem chegar a 600 milhões de toneladas

Um estudo do Breaking the Plastic Wave (Quebrando a Onda dos Plásticos, em tradução livre) apontou projeções preocupantes no tocante ao meio ambiente. A previsão é que em 2040 os plásticos nos oceanos podem chegar a 600 milhões de toneladas. Isso terá impactos graves desde a emissão de gases do efeito estufa até a mortandade de peixes e animais marinhos. Mas especialistas apontam que essas projeções podem ser ainda mais preocupantes e já se tem reflexos da falta de cuidado com o meio ambiente muito mais próximo, como na Baía de Guanabara, por exemplo.

Caso não sejam tomadas medidas urgentes e de impactos ambientais e financeiros, o volume de plástico existente no mercado dobrará e o volume anual do material que entra nos oceanos subirá de 11 milhões de toneladas, em 2016, para 29 milhões de toneladas, em 2040, e a quantidade nos oceanos quadruplicará, atingindo, no mesmo período, mais de 600 milhões de toneladas. Os 29 milhões de toneladas de plástico que poderão entrar nos oceanos em 2040 representarão 100% de emissão de gases de efeito estufa, envolvendo um cenário sem mudanças na cultura ou no comportamento do consumidor. O custo líquido desse vazamento é estimado em US$ 940 bilhões por ano.

O ambientalista Sérgio Ricardo, do Baía Viva, explicou que é uma infelicidade essas projeções serem verdadeiras. Ele ainda lembrou que a ONU decretou que entre 2021 e 2030 será o período de proteção e conservação dos oceanos.

“Mas essa proteção deve começar desde já. Estimam-se que existam mais embalagens plásticas dentro dos oceanos do que os próprios peixes. Isso é muito preocupante. Na Baía de Guanabara temos verdadeiras ilhas flutuantes de plásticos. As pessoas devem mudar o comportamento”, frisou o especialista.

Ele conta ainda que em 1998 a estimativa era entre 6 e 10 toneladas de lixo por dia que chegavam na Baía mas em 2015 esse número saltou para 90 toneladas diariamente.

“Os números são assustadores e a pessoa tem que ter uma mudança de estilo de vida. As indústrias têm que mudar e assumir suas responsabilidades e existe uma tendência de jogar a culpa no cidadão, que também tem culpa, mas temos que responsabilizar as pessoas”, frisou Sérgio Ricardo.

O estudo apontou ainda que apenas 14% das embalagens são recolhidas para reciclagem em todo o mundo. Para a idealizadora da fundação, Ellen MacArthur, a solução tem que ser encontrada muito antes que o plástico chegue aos oceanos. Ela reiterou que uma mudança em direção a uma economia circular, com a máxima redução do uso do plástico, da coleta e reciclagem, e a substituição do produto sempre que possível, permitiria que, até 2040 o volume que entra nos oceanos caísse para 5 milhões de toneladas por ano.

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