Eleição marcada por crimes eleitorais e correligionários presos

Segundo a diretora-geral do TRE-RJ, Adriana Brandão, durante toda a votação, 305 ocorrências de crimes eleitorais foram registradas no Estado, sendo que 130 resultaram em infratores presos e outras 175 sem prisão. Cidades como o município do Rio, São Gonçalo, Niterói, Guapimirim, Comendador Levi Gaspariam, Iguaba Grande e Petrópolis contribuíram para esse levantamento. Os principais crimes atribuídos aos infratores foram compra de voto e boca de urna, e propaganda eleitoral. Também até a tarde de ontem não haviam sido registradas ocorrências de violência e nem registros de tumultos envolvendo candidatos e cabos eleitorais, por exemplo, no estado.

Em Niterói, segundo o TRE, foram registradas nove ocorrências, sendo a maioria de boca de urna. Porém, ninguém foi preso. Apesar da vigilância intensificada, alguns cabos eleitorais praticaram propaganda ilegal em diversos pontos da cidade. Na subida do Morro do Palácio, no Ingá, próximo ao campus de Direito da UFF, haviam rapazes distribuindo “santinhos” de políticos. O mesmo tipo de delito eleitoral aconteceu próximo ao Morro do Estado, no Centro, no meio da rua e no Colégio Municipal Altivo César, no Barreto, Zona Norte. Segundo mesários, haviam carros de som com funks no local. Não havia ninguém coibindo a prática. Em todo estado, 16 candidatos foram autuados, sendo 11 presos (nenhum na Região Metropolitana) e outros cinco vão responder em liberdade. O TRE não informou se os candidatos seriam a vereadores ou prefeitos.

No Largo da Batalha, um dos maiores locais de votação do município (o quinto em número de eleitores no estado) houve filas e aliciamento de cabos eleitorais, com pagamentos feitos na hora. Em média, os valores variavam entre R$ 50 e R$ 70. Um dos candidatos na Região de Pendotiba oferecia cerveja gelada para os correligionários, que passaram a manhã e início da tarde de ontem a menos de 30 metros da porta da zona eleitoral. Outro confraternizava desde cedo com cabos e eleitores na porta de um colégio onde era realizada a votação.

Trânsito intenso
Já no centro de Niterói, eleitores contaram que o trânsito era intenso nas estreitas ruas, reflexo da movimentação nos colégios que recebiam eleitores. Houve congestionamento. Sem constrangimento os eleitores eram abordados ao chegar para votar. Os cabos eleitorais, com bolos de santinhos nas mãos, justificavam que eram amigos dos candidatos. A dona de casa Alessandra Santos observou mudanças na cidade que, acredita ela, vão melhorar sua rotina. Ela apontou as obras de mobilidade urbana como determinantes. “Eu tenho um filho deficiente e preciso levá-lo para o centro da cidade para fazer tratamento. O BRT da Região Oceânica vai ser muito bom”, opinou.

Em Maricá, oito pessoas foram autuadas no município de Maricá, sendo 6 delas ainda na madrugada de domingo. Quatro foram surpreendidas por volta das 4 horas por fiscais da 55ª Zona Eleitoral, nas proximidades do Colégio Caio Figueiredo, em Inoã, e 2 no Colégio Marquês de Maricá, em Itaipuaçu, às 5 horas. Todos foram autuados por estarem distribuindo e transportando “santinhos”, prática proibida pela legislação eleitoral. No início da tarde, mais duas pessoas, dessa vez foram presas na cidade, num crime considerado mais greve. Mas, de acordo com o TRE, ninguém foi preso.

Eles foram presos na Rua Barão de Inoã, no Centro de Maricá, em frente ao Colégio Cenecista. Um PM flagrou o momento em que um homem tentava supostamente “comprar um voto” de um eleitor. Um suspeito foi abordado e com ele foi apreendido R$ 5,8 mil. Fiscais do TRE, da 55ª Zona Eleitoral, um juíz, agentes da PRF e policiais civis da 77ª DP (Icaraí) encaminhou os acusados para 82ª DP (Maricá). A dupla, segundo informações, irão responder por crime eleitoral (artigo 299) de compra de votos. Em São Gonçalo, outros cinco acusados foram conduzidos para a 73ª DP (Neves) autuados, sendo 2 pela prática de delito eleitoral nas imediações do Colégio Municipal Ernani Faria, na Rua Oliveira Botelho, em Neves, 2 na Escola Joaquim Lavoura, na Avenida Lúcio Tomé Feteira, no Barro Vermelho, e 1 no Ciep 413 – Adão Pereira Nunes, na Rua José Ramos de Oliveira, em Neves. Todos foram autuados por crime de boca de urna e vão responder a processo em liberdade.

“Os panfletos eram irregulares. Estamos fazendo um trabalho preventivo. Isso é crime e não propaganda. O pagamento dessas pessoas que distribuem dinheiro também é irregular. Visitamos comitês, agremiações e outros locais. Desde o mês de agosto, 10 milhões de itens já foram apreendidos”, explicou o juiz Marcello Rubiolli, coordenador de fiscalização do TRE, sobre a operação que começou ainda na manhã de sábado em todo estado.

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