Educação em greve há mais de dois meses em SG

Raquel Morais –

Professores e funcionários da rede municipal de São Gonçalo completaram dois meses de greve na última quarta-feira (3). No próximo dia 9 a categoria marcou o Dia D do movimento, com concentração às 12h na Praça Araribóia, no Centro de Niterói, onde realizarão uma manifestação para chamar atenção da população para o descaso com a educação pública. A adesão no início do movimento, em agosto, chegou aos 80%, mas o Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe-SG) já confirmou que atualmente o movimento está com 70% de adesão.

Michele Alvarenga, diretora do sindicato, explicou que a categoria continua lutando por melhorias na educação pública, mas está enfrentando dificuldade de comunicação com as autoridades. Questionada sobre uma possível reposição das aulas, explicou que isso só será definido após o encerramento da greve.

“Recebemos a cópia do documento que a Prefeitura enviou ao Ministério Público em resposta à determinação para pagamento imediato do piso para os funcionários. Eles não cumpriram essa ordem e nós estamos lutando para isso ser respeitado”, comentou.

Um aluno que não quis se identificar lamentou a situação.

“Eu entendo que os professores querem melhorar seus salários, mas eu gostaria que eles também entendessem que os alunos precisam estudar. Nosso ensino público já não é igual ao ensino particular e o pouco que temos é tirado da gente. Cada um defende a sua causa e ninguém olha para o todo”, comentou.

No Colégio Municipal Ernani Faria, em Neves, um comunicado com o quadro de horários foi fixado no portão da unidade com as informações dos professores que não aderiram ao movimento. Segundo o Sepe-SG, a categoria luta contra a defasagem salarial, melhores condições de trabalho e revisão dos benefícios como auxílio-transporte, por exemplo. Ainda segundo o sindicato, o último reajuste foi em 2015, em 6,54% para professores e 1,5% para funcionários, mas deveria ter sido em torno de 12%. Os professores em início de carreira estão recebendo R$ 933 enquanto o piso nacional aponta para R$ 1.264,34; os auxiliares de creche recebem R$ 1.028,29 para trabalharem 40 horas semanais, mas o piso estipula R$ 1.436,73 e os inspetores e merendeiras recebem R$ 788 enquanto o no piso conta R$ 954.

A Prefeitura de São Gonçalo esclareceu que na próxima terça-feira (9) acontecerá uma reunião junto à presidência do Tribunal de Justiça, com representantes do município e do Sepe-SG. Em relação ao reajuste salarial e outras reivindicações, foi enviado uma mensagem à Câmara de Vereadores, que prevê o reajuste de 12,5% em três etapas: 4%, 4,5% e 4%, de forma gradativa e prudente, segundo a Prefeitura. A reposição das aulas está sendo estudada, mas só poderá ter um planejamento final ao término da greve.

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