Eduardo Paes deve renunciar prefeitura do Rio em abril caso decida ser candidato

Capital federal tornou-se mais sedutora do que a do RJ

Desincompatibilização. Esta é a expressão que mais combina com a decisão política mais importante a ser tomada por Eduardo Paes (PSD) nos próximos 6 meses. Se já era do gosto do presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, que Paes disputasse o governo do estado do Rio, agora, cada vez mais, um tapete vermelho se estende para que o prefeito carioca seja vice na chapa a ser encabeçada pelo ex-presidente Lula (PT). Mas, para disputar a eleição, Paes terá que renunciar ao cargo de prefeito do Rio até 6 meses antes da eleição, nos termos da Lei Complementar 64/1990.

O PSD é, atualmente, a quinta força na Câmara Federal, com 35 deputados, enquanto o PT é a segunda, com 53 parlamentares.  Historicamente, o PT, perdeu todas as eleições presidenciais em que a composição de chapa teve como vice candidatos de partidos de esquerda. Foram 4 derrotas, sendo três delas com Lula uma com José Haddad. Nas composições com Lula, em 1989, o vice era José Paulo Bisol (PSB); em 1994, Aloizio Mercadante (PT); e em 1998, o vice era Brizola (PDT). Já com Haddad, em 2018, a vice era Manuella D’Avilla (PCdoB).

Contudo, as vitórias do PT em eleições presidenciais sempre ocorreram com alianças com partidos de centro e de centro-direita. Em 2002 e 2006, o vice de Lula foi José Alencar (PRB, e, atualmente, Republicanos). Com Dilma, em 2010 e 2014, o vice foi Michel Temer (PMDB).

Os dados são históricos e imutáveis no que se refere ao passado. E se a lógica desta conjectura prevalecer, Lula não abrirá mão de um vice que esteja alinhado a um partido de centro ou de centro-direita. E não há, no meio político, dentro deste espectro, quem tivesse sido mais próximo a Lula do que Eduardo Paes durante todos esses anos.

A viabilidade eleitoral de Paes é maior como vice de Lula do que na sucessão estadual, considerando as últimas pesquisas e o desgaste quase irreversível do presidente Bolsonaro. O interior do estado do Rio de Janeiro disse um estrondoso não à última tentativa de Paes ao Palácio Guanabara em 2018 – a primeira havia sido em 2006 – visto que ele somente superou o cassado Witzel, no segundo turno, na capital, em Niterói e em Rio das Flores. E as chances do até então prefeito carioca ser presidente da República, sucedendo Lula, inegavelmente o seduzem.

O dilema de Eduardo Paes nem é dos maiores. Porém, não deixa de ser desafiador. Nilton Caldeira, seu vice, é do Partido Liberal (PL). Apesar de sempre demonstrar confiança em Caldeira, o mesmo não se pode dizer de Paes com relação ao PL. A legenda, capitaneada no estado pelo Deputado Altineu Côrtes, e nacionalmente por Valdemar da Costa Neto, tem relação umbilical com o governador Cláudio Castro, simpático aos bolsonaristas e, até então, alinhado a Bolsonaro. Mas há quem já afiance, em Brasília, que Valdemar deve estar no mesmo palanque de Lula, em uma grande aliança que assegure poder para todos.

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