Economia solidária cresce no estado do Rio e gera emprego e renda

Anderson Carvalho –

Em meio à lenta recuperação da economia brasileira e ao grande desemprego que atinge 12 milhões de brasileiros, muitos procuram atividades alternativas, fora da economia formal. Nos últimos anos, cresceu o número de empreendimentos em que todos são donos e trabalham neles. São associações, cooperativas, empresas autogestionárias, grupos de produção, clubes, entre outros. É a chamada economia solidária, que não visa meramente o lucro, mas, uma melhor qualidade de vida para as pessoas. No dia 12 de dezembro, a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) aprovou a lei que institui a Política Estadual de Economia Solidária. Em Maricá, Niterói e Itaboraí, no Leste Fluminense, há vários empreendimentos do gênero.
Em Maricá existem dois projetos de economia solidária. Um é o de Horta Comunitária, da Secretaria Municipal de Economia Solidária. A prefeitura dá permissão de uso do solo para o povo poder plantar em um terreno em um bairro. Para capacitar as pessoas a cultivarem, a prefeitura abriu uma unidade do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). A iniciativa vai para todos os bairros da cidade.

No bairro Manu Manuela, um terreno foi dividido em 30 famílias, que receberam lotes iguais. Estas se uniram na cooperativa Cooperar, que já existe há dois anos. “ Hoje, não produz para vender, mas, para escolas, hospital, ONGs. As hortas comunitárias têm o livre arbítrio para fazerem o que quiser com o que produz. Produzimos alimento sem agrotóxico. Estamos achando áreas em Itaipuaçu para fazer outra horta. A previsão é que vamos começar a trabalhar lá este ano. Organizamos as pessoas para produzirem em seu próprio bairro e gerando renda”, explicou Marcus Felype, um dos integrantes da Cooperar.

Outro empreendimento é o da Cooperativa de Costura, Confecção e Moda de Maricá, cujo nome fantasia é Ubuntu, que na última quinta-feira conseguiu alugar um galpão em Inoã com a prefeitura, para ser local de trabalho das costureiras. O empreendimento existe há três anos e foi criado pelo ex-prefeito Washington Quaquá. Para capacitar as costureiras foi convidada a estilista Wanuse Las Casas, de 48 anos, paulista e há 15 morando na cidade. Hoje ela é diretora financeira da cooperativa. “ Trabalho com moda há 20 anos. Começamos com 20 e hoje temos 35 costureiras capacitadas. Elas já podem até ter o próprio negócio. Agora estamos tendo o nosso CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica) e nos tornando uma empresa. Poderemos vender para as lojas e outras empresas. No ano passado, produzimos peças para o Natal Luz e ecobags para a participação de Maricá na Feira de Petróleo e Gás, no Rio”, contou Wanise. Aos domingos, desde o fim do ano passado, participa da Feira Solidária, na Praça Orlando Pimentel, no centro.

Em Itaboraí, há outro projeto semelhante, o Gerar, da Liga Independente das Escolas de Samba de Itaboraí. Embora não haja mais desfiles há mais de 20 anos na cidade, o empreedimento foi uma forma de gerar emprego e renda para as moradoras do entorno das agremiações, a fim d revitalizar o carnaval de forma sustentável e com a economia girando no município. “O projeto deu início em 2014, no distrito de Itambi, com o nome Fábrica de Sonhos, patrocinado pela Petrobras, de 2014 a 2016. Vimos a necessidade que as mulheres tinham. Em 2017, a gente alterou o projeto para Gerar. Além de qualificar, fazer indicação de nossas alunas para o mercado de trabalho. Conseguimos empresas parceiras que mandam produção para a gente e as nossas alunas fazem e recebem por peça produzida”, informou Ana Paula Araújo, coordenadora de projetos da Liesi. Nos últimos quatro anos, o projeto qualificou 400 mulheres e estão com 150 matrículas para este ano. De lá para cá os cursos foram só de corte e costura. Este ano, serão também de Desing de Sobrancelha, Trança Afro, Drenagem Linfática, Massoterapia, Shiatsu e Eletricista Predial. Todos gratuitos.

Em Niterói, a partir deste ano, a ONG Gapops (Grupo de Ação, Pesquisa e Orientação a Projetos Sociais), vai ensinar pessoas a produzirem papel artístico, para certificados, diplomas e obras de arte. O papel será fabricado em uma máquina doada pela Embaixada da Alemanha. Só existem duas no país. Outra está no Arquivo Nacional. A da ONG está em um espaço cedido pela Escola Estadual Leopoldo Fróes, no Largo da Batalha.

“Queremos formar agentes multiplicadores e capacitar pessoas para trabalhar na área. Elas vão aprender a fazer papel marmorizado. Será um diferencial, pois poucos lugares vendem”, contou Jaqueline Rezende Ribeiro, diretora do projeto, que formou equipe para ensinar a fabricar o papel.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *