Economia Compartilhada é cada vez mais implantada no dia a dia dos niteroienses

Raquel Morais –

Consumo colaborativo. Economia solidária. Economia colaborativa. Os três termos traduzem uma realidade que vem se firmando com o passar do tempo: economizar e aproveitar orportunidades. Seja através da troca de artigos pessoas, compartilhamento de caronas e até mesmo monitoramento em conjunto, o que vale é aplicar o ditado “A união faz a força”. E em Niterói essa filosofia de vida está crescendo e só esbarra mesmo na desconfiança para poder deslanchar.

Uma pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) apontou que 47% dos entrevistados relataram o medo de serem ‘passados para trás’ ao aderir a alguma dessas práticas. Outros 42% disseram ter medo de lidar diretamente com estranhos e 37% citaram a falta de garantias no caso de não cumprimento de acordos, dizia a nota. Porém quando questionados sobre as vantagens do consumo colaborativo 47% das pessoas pensam na economia de dinheiro, 46% pretendem evitar o desperdício, 45% querem combater o consumo em excesso, 38% querem ajudar o próximo, 31% visam contribuir para a preservação do meio ambiente e 30% querem ampliar a rede de relacionamento. “Na chamada economia compartilhada ou consumo colaborativo, ao invés de ‘ter’, o que importa é poder desfrutar dos benefícios de produtos e serviços pelo tempo que for necessário. E se possível, impactando e mudando para melhor a vida de todos os envolvidos. Dividir, reciclar ou reutilizar passam a ser alternativas ao ato de simplesmente acumular e comprar cada vez mais”, explicou o educador financeiro José Vignoli.

A empresa Tecvoz, que atende em Niterói, tem uma proposta de vigilância solidária através da economia colaborativa. A empresa disponibiliza equipamentos para monitoramento e segurança digital, através de compartilhamento de imagens na nuvem, e várias pessoas da mesma rua ou bairro podem acessar os vídeos. A ideia é conseguir driblar a criminalidade através da filmagem. “Seu funcionamento depende da integração e comunicação de todos. Se alguém identificar algo suspeito nas imagens compartilhadas, é possível se antecipar ao risco e acionar a polícia, agindo de maneira preventiva. As câmeras disponibilizadas contam com uma solução que permite a continuidade da gravação mesmo se houver queda na internet”, comentou Ricardo Luiz, gerente de negócios.

Suzana Moura (1)

A jornalista Suzana Moura, 35 anos, organizou um Bazar da Troca no próximo dia 26 no salão de festas da casa de um amigo. A ideia é a colaboração entre as pessoas através da troca de peças de roupas e acessórios, sem circulação de dinheiro. “A pessoa leva suas peças e de acordo com o número de peças que leva, ela troca com o que quiser. A única recomendação é que nada esteja sujo, rasgado e nem manchado. É uma iniciativa bacana, pois damos uma segunda oportunidade para aquela peça que está guardada no armário, proporcionando uma vida útil maior”, explicou a também estudante de moda.

Em São Domingos um grupo de capoeira mantém o consumo e o uso colaborativo no espaço chamado Casarão Capoeira Angola, na Rua Andrade Neves. Liderado pelo mestre Athaíde Neto, conhecido como Dois Cruzeiros, a ideia é a ajuda mútua entre professores e alunos, que vai desde limpeza até a preparação dos lanches e instrumentos. “Temos pandeiros feitos de caixote de mamão e tambores feitos de tubulação de água, por exemplo”, mostrou. Um dos professores do projeto, Francelino da Silva, 40 anos, conhecido como Gil Negão, explicou como isso funciona na prática. “Se vamos fazer um lanche para depois do treino, pedimos a colaboração das pessoas que vão desde dinheiro, até mesmo parte de um alimento e em muitos casos, até mesmo a mão de obra para cozinhar entra no conceito. A ideia é colaboração de todos. Todos ganham, todos aprendem, todos fazem e todos participam de tudo”, sintetizou.

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