Ecobarreira impede que toneladas de lixo cheguem ao mar

Passados oito anos desde sua instalação, a ecobarreira do Canal de São Francisco, situada na Av. Presidente Roosevelt, nas imediações do Skatepark, continua sendo um dos principais destaques do projeto ‘Enseada Limpa’, uma das muitas iniciativas adotadas pela política ambiental da cidade de Niterói.

Instalada em 2013 com o objetivo de melhorar a qualidade das águas e do meio ambiente, o projeto Enseada Limpa é uma parceria entre a prefeitura e concessionária Águas de Niterói. A ecobarreira instalada no Canal de São Francisco é uma das ações que integram o programa. Sua função, tal como sugere o nome que a identifica, é impedir que resíduos decorrentes do descarte irregular de residências da região cheguem às águas da Baía de Guanabara.

A ecobarreira passou por reforma em 2016, quando foi substituída por uma mais resistente, aumentando sua capacidade de retenção de resíduos, tornando sua ação ainda mais eficiente. Além disso, a Águas de Niterói também instalou uma caixa de sedimentos no local para reter a areia trazida pelo fluxo da água do mar, impedindo o assoreamento do canal e evitando a obstrução do sistema de tratamento.

Na ocasião, técnicos observaram que o alto volume de chuvas permitia que a água ultrapassasse a antiga barreira, permitindo a passagem de resíduos. Com a instalação do novo equipamento, a ecobarreira ganhou mais espaço para conseguir conter esses resíduos, mesmo com o aumento do volume de água em decorrência das chuvas.

No entanto, especialistas afirmam que essa proteção ainda está restrita a baixos volumes. A ecobarreira é uma estrutura de “tempo seco”, esclarecem. Em dias de chuvas intensas, o aumento do volume de água agrava a situação e torna-se impossível assegurar a limpeza da praia.

Ainda assim, moradores da região defendem a manutenção do projeto. De acordo com seus relatos, a ecobarreira tem ajudado a manter a praia limpa.

“Sou moradora de São Francisco há mais de 20 anos e todos os dias caminho na praia. Antigamente, muita sujeira se acumulava nas areias por causa desse canal. Ele trazia muito lixo e isso aqui ficava uma ‘imundice’. De uns anos pra cá, notei que a praia passou a ficar mais limpa. No início achei que era por causa dos garis limpando a praia o tempo todo, mas, depois, notei que o lixo fica todo retido na tela da barreira. Melhorou muito”, explica a advogada Heloísa Pimenta.

O fisioterapeuta Marcos Lins destaca que a iniciativa é um importante exemplo de educação socioambiental. “Acho o projeto da ecobarreira muito importante para a nossa cidade. É um ótimo exemplo de como é possível encontrar soluções criativas, simples e baratas para problemas complexos como a poluição da Baía de Guanabara. Imagina se todos os córregos e canais que deságuam na baía tivessem barreiras para impedir que resíduos chegassem ao mar? Acho que a realidade poderia ser bem diferente. Por que não se criam leis para obrigar os municípios a colocarem barreiras em seus canais?”, pergunta o fisioterapeuta.

Por meio de nota, a “Águas de Niterói informa que a instalação da barreira ecológica foi realizada em 2013 e que a manutenção também é realizada pela concessionária, sempre que necessário.” A empresa também esclarece que “a retirada dos resíduos é feita pela Companhia de Limpeza de Niterói (CLIN).”

A prefeitura de Niterói, também através de nota, esclarece que “a iniciativa foi proveniente de um acordo com a Águas de Niterói e integra as ações do programa Enseada Limpa que, a partir de diferentes iniciativas para despoluição da enseada de Jurujuba, visa elevar a balneabilidade das cinco praias que a compõem (São Francisco, Charitas, Jurujuba, Adão e Eva). É a própria concessionária quem faz a manutenção, sempre que preciso, e a coleta do lixo retido é feita pela Clin.

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