Drogas, descaso e medo tomam conta das calçadas de Icaraí

Raquel Morais –

A situação dos moradores de rua e usuários de drogas em Icaraí continua assombrando os moradores e comerciantes do bairro. Um dos piores trechos da Zona Sul de Niterói, a Rua Joaquim Távora, já foi batizada popularmente como a cracolândia e faz jus ao apelido. Além dela, a Rua Silvestre Rocha, no Vital Brazil, também está servindo de acolhimento de famílias. O assunto foi mais uma vez tema do Conselho Comunitário de Segurança de Niterói, realizado ontem na Câmara de Dirigentes Lojistas de Niterói (CDL-Niterói), e o presidente prometeu cobrar da Prefeitura de Niterói uma a criação de uma força-tarefa para resolver a situação nos próximos dias.

Segundo relatos, esses moradores de rua, inclusive crianças, usam drogas, lícitas e ilícitas, em qualquer hora do dia, fazem necessidades nas calçadas, atos obscenos, além de serem perigosos, principalmente à noite, quando praticariam roubos e furtos.

“O cheiro de urina e fezes é insuportável em dias de forte calor. A situação está cada vez pior pois eles estão em maior quantidade e cada vez mais abusados e sem medo de punições”, comentou uma moradora de Icaraí que não quis se identificar.

O presidente do Conselho Comunitário de Segurança de Niterói, Moacyr Chagas, explicou que as reclamações sobre essa cracolândia são recorrentes.

“Essa área está com um transtorno e vamos levar esse assunto com prioridade para cobrar da administração pública uma força-tarefa. Precisamos de integração entre as secretarias para conseguirmos coibir essas ações de vandalismo”, declarou.

Foi justamente essa união entre as pastas que o setor de relações públicas do 12º Batalhão de Polícia Militar (Niterói) ressaltou para tentar resolver a questão.

“Atuamos no combate ao tráfico de drogas e ao uso. Quando são identificados o uso eles são autuados e não ficam detidos. Temos ciência do incômodo aos moradores. A gente faz uma revista pessoal e se não tiver nenhum ilícito penal não podemos fazer nada contra isso. O ideal seria agir em conjunto com outros órgãos como acolhimento e assistência social para resolver esse problema”, exemplificou o capitão Carlos Henrique.

A Prefeitura de Niterói informou que a equipe de abordagem da Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos realiza, de forma regular, ações no local. O acolhimento não é compulsório no Brasil e, de acordo com a legislação, as pessoas devem aceitar o encaminhamento para os abrigos. O município possui em sua rede própria 130 vagas, sendo 75 delas ocupadas atualmente. O Consultório na Rua, serviço da Fundação Municipal de Saúde que presta atendimento para a população em situação de rua, também já realizou ações no local. Ainda segundo o informe, a equipe reúne médico, psicólogo, enfermeiro, técnico de enfermagem, assistente social, entre outros. Com apoio de um veículo, atuam de forma itinerante nos locais onde se concentram essas pessoas, desenvolvendo ações compartilhadas e integradas com a rede de Saúde. Através desse o usuário de drogas pode ser encaminhado para atendimento no Centro de Atenção Psicossocial (CAPs) Álcool e Drogas, onde terá acompanhamento de uma equipe multidisciplinar para lidar com o vício.

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