Dos quadrinhos para as ruas: Batman niteroiense coloca sorriso no rosto da criançada

Em momentos de dificuldades, os super-heróis costumam aparecer para salvar o dia. Nas histórias em quadrinhos, há décadas, jovens e adultos se divertem com aventuras que possuem enredo semelhante, seja com o Homem-Aranha, Super-Homem, Mulher Maravilha ou Batman. Inspirado no universo de fantasia, um niteroiense de 59 anos busca aplicar isso na vida real.

A reportagem desta semana da série de A TRIBUNA sobre iniciativas que apoiam crianças conta a história de Luiz Alexandre Dias, que, até o começo da pandemia de Covid-19, trabalhava com terapias chinesas. Em meio ás dificuldades financeiras, ele conseguiu reunir forças para se vestir como o “homem morcego”, colocando sorrisos nos rostos de crianças.

“Eu trabalhava com terapia tradicional chinesa, como shiatzu e ventosas. Aí eu me separei e, em seguida, veio a pandemia. Precisei vender meus materiais e fui morar de aluguel. Vendo que as pessoas não aguentavam mais ficar dentro de casa, falei do projeto do Batman com um amigo que comprou a fantasia para mim. Aí comecei a fazer aparições”, contou.

Alexandre iniciou sua jornada como Batman andando pelas ruas, alegrando as crianças que o observavam, pelas janelas de suas casas, no auge das medidas de distanciamento social. Contudo, ele decidiu que era momento de ir mais além e levar essa mesma alegria àqueles pequenos que, por diversos motivos, estavam em hospitais, sem ter uma “janela” para ver as performances do herói.

“A mãe esquece que está em um hospital, as crianças esquecem os problemas que estão tendo. É como um ‘susto que cura o soluço’, que faz esquecer a dor e a tristeza. Aquele momento é único, ver o semblante da criança daquele jeito. Tinha uma menina que estava meio doente e um amigo pediu que eu fosse à casa dele. A reação foi algo único”, afirmou.

São inúmeras as histórias de crianças que se surpreenderam ao ver o homem morcego de carne e osso. Alexandre conta que uma criança, na Praia de Camboinhas, ao vê-lo, exclamou impressionada: “é o Batman!”. Em outro caso, um garoto, fã do “homem-morcego”, correu chorando para abraçá-lo. Além disso, os adultos também costumam tietar o herói. É importante ressaltar que, por ser um personagem criado na metade do século XX, o Batman foi parte da infância de muitos pais.

O lado humano do herói

Bruce Wayne, identidade original do Batman dos quadrinhos, é um empresário bilionário. Este não é o caso de Alexandre. Com a pandemia da Covid-19, ele se viu obrigado a se mudar para uma quitinete em Itaipu, vender seus equipamentos de terapia e passou a comercializar lixeiras e fragrâncias para automóveis no cruzamento entre as Avenidas Sete de Setembro e Roberto Silveira, em Icaraí. Ele afirma tirar inspiração na trajetória do personagem para seguir em frente.

“Na solidão me espelhei no próprio Batman. O Bruce Wayne é um cara milionário, mas solitário. Como ele consegue quebrar isso? Quando ele se veste de Batman, então ele é amado. Eu percebi que, com essa pandemia, aqueles que são bons se mostraram. Tenho encontrado pessoas maravilhosas. De cada 200 carros, um me ajuda. Mas esse ‘um’ faz toda a diferença”, ressaltou.

Com a atual atividade, ele pretende reunir recursos para comprar novos equipamentos e conseguir retomar sua atividade profissional de origem. Mas, obviamente, está fora de cogitação abandonar a armadura do “homem-morcego. O “BatSinal” para acioná-lo é o telefone (21) 98947-8886, ou por meio do Instagram @batmanguardiaodobem. Por fim, o herói deixa uma mensagem de esperança para o futuro.

“Vou aos carros e vejo as pessoas muito carentes, com dinheiro, mas sem amor. Esse sentimento foi roubado pelo dinheiro. Consigo conciliar porque, já que não posso oferecer recursos financeiros, estou oferecendo abraço. Uma forma de eu poder ter afeto nos lugares é o Batman. O Batman não tem superpoderes, é um humano normal que vence pela estratégia”, concluiu.

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