Donos de quiosques reclamam da concorrência desleal nas praias

Raquel Morais –

A Associação de Quiosques das Praias de Niterói (APQN) reclama da falta de ordenamento público nas praias da cidade. Um levantamento feito em relação as irregularidades nas areias apontou que até 98% dos produtos vendidos nas areias de Piratininga são de ambulantes. Outras praias como Itaipu, também na Região Oceânica, e Charitas, na Zona Sul, estão na lista de reclamações da entidade, já que os vendedores não cadastrados ocupam grandes faixas de areia, vendem produtos abaixo do preço médio, alugam mesas e cadeiras e ainda não retiram os lixos das areias.

A presidente da APQN, Regina Abreu, pede ao poder público ajuda para resolver as questões. Segundo ela diariamente recebe denúncias e reclamações da desordem das praias, desde a ocupação por camelôs em pontos fixos com aluguéis de mesas, cadeiras, guarda-sol, churrasqueiras, fritadeiras com botijão de gás, até despejo ilegal do lixo, que não é recolhido.

“Somos muito cobrados e temos que estar certos e documentados de tudo. Uma situação geral como essa acaba denegrindo a imagem do quiosqueiro, que não tem responsabilidade sobre essas coisas. Ano passado foi um ano pesado e sabemos da necessidade do trabalho. Não queremos prejudicar ninguém, queremos apenas que esses problemas não caiam na conta do quiosqueiro credenciado. É fundamental um ordenamento nas praias. Precisamos de fiscalização pois a nossa imagem fica negativa com ações como essa”, contou.

Na Praia de Charitas o movimento entre os 25 quiosques caiu em 40% com o livre comércio nas areias. Em Piratininga 98% dos produtos vendidos e das mesas instaladas nas areias são de ambulantes. Nas outras praias também não é difícil encontrar a mesma problemática com excesso de lixo que não é recolhido por quem trabalha vendendo, além do preço praticado ser injusto.

“A venda é bem mais barata quando compramos com ambulantes do que no quiosque. A cadeira e a barraca de sol também não são cobradas, basta consumir com eles. Entendo as reclamações mas também tenho que ver o que fica melhor para meu bolso. Como em qualquer lugar é preciso pechinchar para conseguir uns descontos”, opinou o frentista Iranildo Oliveria, 54 anos.

Patrícia Esteves, 45 anos, vice presidente da associação, também chama atenção para as reclamações da APQN.
“Precisamos de mais fiscalização para cobrarem um ordenamento. Um botijão de gás na areia é um perigo de explosão. Um óleo quente na areia é um risco de queimadura e essas questões devem ser levadas em consideração”, ponderou.

Os problemas levantaram a questão que os quiosqueiros passaram em 2017 com o risco de despejo, pedido pelo Ministério Público Federal (MPF). Na época foi solicitada a desocupação dos 25 quiosques por serem ocupações irregulares, segundo o órgão. Os quiosqueiros negam a ilegalidade e Patrícia Esteves explicou que os colegas de trabalho ainda querem a revisão desse processo e o tão sonhado alvará de funcionamento.

“Queremos essas revisões e mudanças. Tudo isso melhora o nosso trabalho. Estamos no auge do verão, próximos do Carnaval e precisamos rever essas questões. Só queremos trabalhar em paz, sem surpresas e prejuízos”, concluiu.

Outra questão apontada foi como ficará a questão dos quiosques com o Projeto Orla, anunciado em 2018 pela administração municipal.

“Com certeza estamos aguardando a padronização para podermos trabalhar de forma melhor e assim poder dar um atendimento melhor a população, mediante a nossa participação, através de um comitê gestor conforme acordado com o Secretário de Governo da época”, explicou Regina.

O Projeto Orla prevê a mudança da orla de Niterói desde a Ponta da Areia até a praia de Charitas o que totaliza 12 quilômetros. A previsão para início das obrar é o primeiro semestre desse ano com conclusão em 2020. Segundo nota da Prefeitura de Niterói no ano passado, o trajeto vai ganhar decks, mirantes e novo paisagismo e será dividido em três frentes de obras, que poderão ocorrer de forma simultânea, mesmo que não sejam iniciadas ao mesmo tempo: do Mercado São Pedro ao Forte Gragoatá, do Forte ao início da Estrada Fróes e na praia de Charitas.

A Prefeitura de Niterói foi questionada sobre os assuntos citados nessa reportagem mas até o fechamento dessa edição não se manifestou.

One thought on “Donos de quiosques reclamam da concorrência desleal nas praias

  • 15 de janeiro de 2019 em 13:22
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    Acho isso hilário dono do quiosque falar de concorrência desleal e no final do dia ele puxa celular pega Uber .

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