Donos de postos estimam queda de 30% nas vendas após aumento

Raquel Morais –

Na última sexta-feira (21) o presidente Michel Temer aprovou mais uma medida que aumentou sua impopularidade entre os brasileiros. Os motoristas já sentiram nas bombas de combustíveis, ou melhor, nos bolsos, o aumento do preço do litro da gasolina, etanol e diesel. As alíquotas do Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) foram reajustadas para arrecadação de R$ 10,4 bilhões, a fim de cumprir a meta fiscal e evitar o déficit primário (R$ 139 bilhões).

No Posto Domingues de Sá, em Icaraí, um dos sócios disse que o aumento nas bombas aconteceu no sábado. “É inevitável repassar isso para o consumidor final. Já percebi uma diminuição no abastecimento de domingo e segunda em torno de 30%”, comentou um dos sócios Marco Oliveira. No local, a gasolina era vendida por R$ 3,75 e saltou para R$ 4,07, diferença de R$ 0,32. Já o etanol estava custando R$ 2,99 e agora custa R$ 3,19 o litro, diferença de R$ 0,20.

O motorista de Uber, Vitor Lima, de 28 anos, classificou o aumento como injusto. “Antes do aumento eu conseguia encher o tanque do carro de gasolina. Agora vou economizar muito na gasolina e só vou usar o GNV”, explicou.

Para encher um tanque de 50 litros, o niteroiense gastava, antes do reajuste, R$ 187,50, e agora R$ 203,50, uma diferença de R$ 16 ou 3,93 litros da gasolina a mais.

ENTIDADES SE POSICIONAM CONTRA AUMENTO
A Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), entidade que administra o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), considera prejudicial para a economia do país a decisão do governo federal em aumentar tributos sobre combustíveis. Para a entidade, a arrecadação tributária pode ser aumentada com o crescimento econômico e racionalização das despesas, sem a necessidade de criação de impostos e aumento de alíquotas que penalizam setores específicos. “O recente aumento de PIS e Cofins vai impactar o custo dos combustíveis, do transporte de matérias primas e de produtos industrializados, o que inevitavelmente acaba recaindo sobre o bolso do consumidor final, que já se encontra em um momento de aperto financeiro”, explicou Honório Pinheiro, presidente da CNDL.

A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) também se posicionou contra, alertando que ‘a saída para a crise fiscal não passa por mais aumento de impostos, mas na adequação dos gastos públicos ao novo cenário econômico e na urgência da aprovação da reforma da previdência. O País precisa de reformas, e não de mais impostos. Além de um teto para os gastos, o Brasil necessita de um teto para os impostos. Essa é a proposta do Sistema Firjan’.

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