Dom José Francisco Rezende Dias: Uma razão para viver

Semana passada terminei com essa pergunta: E a nossa razão de ser consiste em? É uma questão central que, às vezes, se apresenta dolorosa. Viemos com a programação interna de proteger a vida, mas não viemos com a programação de descobrir qual o sentido dela. Na melhor das hipóteses, encontramos pela vida pessoas que nos orientam e nos conduzem em caminhos serenos e ensolarados nos quais a pergunta sobre o sentido fica clara a cada passo.

Mas também existem outros caminhos. E aí nossa percepção é chamada a uma sutil distinção baseada em todas as informações internas e externas que conseguirmos coletar: para onde queremos ir? Se tomarmos este ou aquele caminho, aonde ele nos levará?

Queremos entender, basicamente isso: entender. Existe um caminho, um sentido? É impossível não se lembrar de Mitya, de Os Irmãos Karamazov: “um daqueles que não estavam interessados em milhões, mas na resposta para suas dúvidas”. 

O que, afinal, queremos?

Queremos tomar posse do real valor e da perspectiva das coisas passageiras, para só assim nos retirarmos do turbilhão das circunstâncias diárias. Queremos saber que as coisas pequenas são pequenas, tanto quanto as coisas grandes sejam grandes, e sempre antes que seja tarde demais. Queremos enxergar a realidade, como ela será para sempre, sob a égide da eternidade. Seria demais aprender a rir na cara do inevitável, ou sorrir diante da morte iminente?

Queremos ser inteiros. Não deveria ser tão impossível, assim!

O caminho, esse, nós já conhecemos:  é amar a sabedoria e viver segundo seus ditames, numa vida de simplicidade, independência, grandeza e confiança. Buscar, primeiro, o Reino dos Céus, lembram, e o resto será suprido ou sua perda não será notada.

A verdade não nos tornará ricos, mas livres. Seria essa uma razão para viver?

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