DOM JOSÉ FRANCISCO REZENDE DIAS – DIREÇÃO NA MUDANÇA

O cristianismo diz que as pessoas devem se arrepender para alcançar o perdão. Sendo assim, há pouco a dizer àquelas pessoas que acham que não têm do que se arrepender e não sentem que precisam de perdão.

Portanto, há uma revisão do caminho a ser feita.

A essa revisão de postura, o cristianismo chama de conversão: uma palavra que, no trânsito, significa a manobra de direção que consiste em virar o veículo para a direita ou para a esquerda. É esse o sentido. Quem quiser se manter sempre o mesmo, terá de mudar muito e muitas vezes.

Mas, se é preciso mudança na direção, é ainda mais preciso direção na mudança.

Ninguém chega, se não sabe para onde chegar. A conversão mostra o caminho, mas somente depois que você percebe que existe uma Lei Moral e somente depois, e em nenhum instante antes disso, vai mudar de rota.

Fica muito mais claro, se você perceber que o Poder que sustenta a Lei Moral está interessado apenas no jogo limpo. Ele é indulgente, afável e compassivo, não resta dúvida. Mas não “abre mão” do jogo limpo. A Lei que emana desse Poder diz o que deve ser feito e o que deve ser evitado. E essa não é apenas uma legislação a ser seguida num modo mecânico: essa é a nossa condição de paz. Em sua vontade está nossa paz” (Dante Alighieri).

Percebeu do que estou falando?

Dificilmente, encontraremos a paz caminhando sobre nossos próprios passos, como reza a lenda moderna. Nós não temos em nós nossa autorreferência. Não somos pássaros migratórios, cuja bússola interna lhes possibilita a orientação no voo. Não funcionamos como se carregássemos um instrumento de navegação chamado sextante, que usa as estrelas como referências de localização.

Precisamos de um Grande Outro que oriente o caminho. Mas, às vezes, parece que não sabemos disso.

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