DOM JOSÉ FRANCISCO REZENDE DIAS: COMO ENTENDER A LEI NATURAL?

Semana passada falamos da Lei Natural. Mas ela não seria apenas o instinto gregário da espécie? Suponha que você ouça um pedido de socorro. Provavelmente, duas ideias lhe aparecerão na mesma hora: prestar ajuda (nisso, seu instinto gregário fala mais alto) e manter-se longe do perigo (aí quem fala mais alto é o seu instinto de autopreservação). Agora, se algo se interpuser entre os dois, para decidir qual deles deveria ser encorajado, e se no caso, esse “algo” optar por um Bem Maior, então daremos a ele o nome de Lei Natural. Ela não está escrita, mas está inscrita.

Para entender, imagine o piano e a partitura. O piano está lá, com todas as teclas, e nenhuma delas exige ser tocada. Quem diz qual tecla, em que momento e de que forma será tocada é a silenciosa partitura aberta à frente do piano.

A Lei Natural é essa partitura: ela transforma teclas em notas. Nossos instintos não passam de teclas. Sem eles não há sons! Mas sem a partitura não haverá música.

Observe: sempre que houver um conflito entre impulsos, o mais forte prevalecerá. Mas sempre que estivermos conscientes da Lei Natural, inscrita em nosso ser mais íntimo, ela irá recomendar que optemos pelo mais fraco dos impulsos. Ou seja, se você deseja socorrer alguém, num “afogamento”, mais do que ficar em segurança, isso só será possível se a Lei Natural exigir que você torne seu instinto de ajuda mais forte que o de proteção.

Não existem instintos bons ou ruins. O piano não tem teclas certas e erradas. É a melodia que irá dizer qual delas deverá ser tocada e em que momento. Certo?

Pouquíssimas leis são absolutas. Mas quando elas se manifestam, ninguém precisa perguntar se são “certas” ou “erradas”. A pergunta será: são necessárias ou não?

Esse absoluto da Lei Natural requer que voltemos ao tema.

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