Dólar alto afeta bolso do consumidor

Wellington Serrano –

Com o valor da moeda americana ultrapassando os R$ 4 reais os consumidores de pão francês, remédios e gasolina vão sentir um aperto no bolso na hora da compra. Os preços destes produtos vão sofrer aumento por conta alta do dólar que fechou em R$ 4,03 nesta terça-feira (21), uma das maiores cotações desde 2016. É possível que os valores dos insumos subam 10% ainda este mês.

Segundo o professor de economia da Universidade Federal Fluminense, especializado em economia internacional, Osiris Ricardo Marques, a situação é grave. “Existe uma parte dos insumos que são necessários para a produção interna e que vem de fora e é isso que gera o aumento dos custos dos produtos e eleva o preço final”, diz o especialista.

Ele disse que o que acontece no Brasil é o chamado ‘Pass-through’, relacionado ao câmbio desvalorizado, inflação, juros e, portanto, com crescimento econômico. “Ou seja, com a vida de todo mundo. É o tamanho do repasse das variações cambiais para os preços. Em outras palavras, é quanto uma subida (ou redução) na taxa de câmbio faz a inflação subir (ou baixar)”, afirmou.

Osiris afirmou que historicamente a economia brasileira consegue absorver esse aumento dos preços internacionais, no caso do trigo e dos remédios, mas na questão do petróleo, que tem sua matéria-prima importada, o consumidor será obrigado a comprar sob pena de não conseguir controlar o aumento que passará para o produto”, realçou.

O economista ressaltou que a alternativa será o aumento da taxa de juro que está baixa. “O Comitê de Política Monetária (Copom) deve conter o consumo e aumentar os juros dos créditos que estão baixos. Como em anos anteriores o Banco Central (BC), com juros maiores contem a inflação. A alta no juro tem impactos no investimento de empresas e no consumo das famílias, já que a Selic é referência para aplicações e empréstimos”, explicou Osiris.

Crescimento das exportações em 2017 — A Associação Brasileira das Indústrias Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos industrializados (ABIMAPI) divulgou ontem os dados referentes ao desempenho das exportações em 2017. Juntas, as três categorias representadas pela entidade atingiram um total de 107 mil toneladas de produtos e movimentaram US$ 177 milhões, aumento de 50% em volume de vendas e 29% em faturamento em relação a 2016.

“Conseguimos recuperar as vendas a importantes mercados, como Angola, Venezuela, Cuba e Argentina, que tiveram crescimento respectivamente de 93%, 230%, 158% e 96% entre 2016 e 2017”, pontua Claudio Zanão, presidente da associação. Estados Unidos, Uruguai, Paraguai, Peru, Chile e Japão, além dos países citados pelo executivo estão entre os principais destinos de exportação. “Nossos produtos chegaram a 75 países no último ano e atingimos novos destinos especialmente na África e Oriente Médio, como Catar, Botsuana, Serra Leoa, Arábia Saudita, Ruanda, Benin, Eslovênia e Curaçao”, completou.

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