Dois anos após morte de Anderson do Carmo, Flordelis aguarda dois julgamentos

Símbolo de poder, soberania, honra e lealdade, assim como de pureza de corpo e alma, a flor-de-lis foi escolhida pelo fundador do movimento escoteiro, Robert Baden-Powell, para representar a fraternidade escoteira. Assim também, poderia ser definida a deputada federal e pastora Flordelis dos Santos de Souza (PSD-RJ) até o dia 16 de junho de 2019.

Naquela data, a vida da líder religiosa, antes vista, até mesmo por autoridades, como exemplo a ser seguido, virou do avesso. Seu filho biológico, Flávio dos Santos Rodrigues, segundo investigação da Polícia Civil, atirou e matou o padrasto e marido da parlamentar, o pastor Anderson do Carmo. Dois anos depois do crime, Flordelis aguarda dois julgamentos.

Apontada como a mandante do crime, a líder religiosa aguarda a data para ser submetida ao Tribunal do Júri e, nesta semana, deve ter sua cassação votada pelo plenário da Câmara dos Deputados. Em 8 de junho, o Conselho de Ética aprovou, por 16 votos a 1, parecer do deputado federal Alexandre Leite (DEM-SP), relator do processo, pela cassação do mandato.

No dia 6 de maio, a juíza Nearis dos Santos Carvalho Arce, da 3ª Vara Criminal de Niterói, decidiu oferecer denúncia contra a deputada federal Flordelis dos Santos de Souza e outras dez pessoas pela morte do pastor Anderson do Carmo, ocorrida em 16 de junho de 2019. Com isso, a parlamentar e os demais acusados irão a júri popular. Flordelis responderá por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, emprego de meio cruel e de recurso que impossibilitou a defesa da vítima), tentativa de homicídio, uso de documento falso e associação criminosa armada.

Uma eventual cassação pode levar Flordelis para trás das grades. Em razão da imunidade parlamentar, a deputada, que só pode ser presa em flagrante por crime inafiançável, cumpre medidas cautelares, monitorada por tornozeleira eletrônica, enquanto responde pela morte de Anderson do Carmo. Na época da decisão pelo júri popular, a defesa da parlamentar contestou a medida. “A defesa avalia que a decisão não tem amparo nos autos, então iremos recorrer ao Tribunal de Justiça, porque não se sustenta essa decisão de submissão ao júri”, dizia nota enviada à imprensa.

Além de Flordelis, foram denunciados os filhos biológicos: Adriano dos Santos Rodrigues, Flávio dos Santos Rodrigues e Simone dos Santos Rodrigues; os filhos afetivos e adotivos: André Luiz de Oliveira, Carlos Ubiraci Francisco da Silva, Marzy Teixeira da Silva e Lucas Cezar dos Santos de Souza; a neta: Rayane dos Saltos Oliveira; além do casal Marcos Siqueira Costa e Andrea Santos Maia, acusados e envolvimento no episódio da carta atribuída a Lucas.

Silêncio

Mesmo acusada pela morte do marido, Flordelis, em datas simbólicas, costuma se manifestar para recordar de Anderson do Carmo e, consequentemente, reafirmar sua inocência. Contudo, até o fechamento desta reportagem, nas redes sociais dela não foram encontradas quaisquer manifestações referentes aos dois anos da morte do pastor Anderson do Carmo.

Em 16 de junho de 2020, na ocasião em que se completou um ano do crime, ela disse: “Está difícil aguentar cada segundo, minutos, horas, dias, meses, um ano. Sem ter você aqui para me animar, para me fazer sorrir de verdade, sorrir com vontade. Está muito difícil viver sem você. Sinto muita falta dos pequenos momentos que eram só nossos: acordar ao seu lado, falar com você pela manhã, lhe dar um beijo”, afirmou à época.

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