Diretor técnico do Azevedo Lima participa de audiência pública na Câmara dos Deputados nesta quinta (17)

A preocupação em envelhecer bem é algo que costuma preocupar quem completa 60 anos e, consequentemente, passa a fazer parte da chamada Terceira Idade. Por isso, a Comissão dos Direitos da Pessoa Idosa da Câmara dos Deputados, em Brasília (DF), realiza uma audiência pública nesta quinta (17) sobre envelhecimento ativo. E um dos participantes do evento é o diretor técnico do Hospital Estadual Azevedo Lima, o ortopedista e traumatologia Marcus Vinícius Dias.

Para o médico, o tema se mostra ainda mais sensível no momento por causa do isolamento social causado pela pandemia. Por isso, na opinião do profissional, se faz ainda mais “urgente” que se faça investimentos públicos voltados para o envelhecimento saudável, principalmente para os idosos que sofrem de algum tipo de comorbidade.

“Nós temos idosos que sofrem de hipertensão, depressão, diabetes ou algum outro tipo de comorbidade. E eles estão sofrendo de alguma forma nessa pandemia, seja com o isolamento ou por causa da doença que porventura tenham. É por isso que é necessário discutir esse tema justamente nessa atual situação. A expectativa de vida subiu muito nos últimos anos, mas não adianta nada a pessoa viver muito e não ter qualidade. Nesse contexto, essa audiência acontece em boa hora, pois precisamos discutir políticas para esse tipo de público”, afirma Dias.

O exercício físico como método terapêutico

Outra proposta que Dias pretende levar para a audiência é o investimento maior em academias da terceira idade pelo fato de a atividade física nessa faixa etária ser considerada fundamental. Chamando-a de “método terapêutico”, ele defende que projetos que promovam as academias públicas da terceira idade sejam ampliadas.

“O que a gente quer discutir é o papel dessas academias e a ampliação delas pelo país. Na minha visão, esse projeto tem que estar inserido na discussão sobre saúde pública porque falam sobre bem-estar. E essa discussão é fundamental tanto sob o ponto de vista da prevenção quanto do tratamento. O avanço de artrose e reumatismo, por exemplo, de quem faz atividade física é mais lento. Isso sem falar na melhora da respiração, da parte cardiovascular, da mobilidade, da queda do risco de infarto, além de outros benefícios”, explica Dias.

Desafio maior com época de isolamento

O reumatologista explicou que o desafio de manter os projetos de atividades voltadas para os idosos se tornou maior em época de pandemia por causa do isolamento. Para Dias, é necessário que haja um acompanhamento virtual acompanhado de políticas de inclusão digital que possibilitem que a pessoa mais humilde tenha acesso a um celular ou computador que garanta a frequência das aulas na forma remota.

“Uma sugestão que a gente dá é que as aulas aconteçam através de ferramentas como o Zoom, que pode ser usado tanto pelo celular quanto pelo computador, e usar coisas simples para fazer essa ginástica. Então alguém pode fazer a aula virtual usando um cabo de vassoura ou uma cadeira, por exemplo. É uma forma que a gente sugere de a atividade continuar mantendo o respeito às restrições”.

Um exemplo disso foi o que aconteceu com o Projeto Gugu, em Niterói. Destinado a oferecer aulas de ginástica e outras atividades, o projeto está desde março de 2020 sem atividades. Coordenadora do projeto, Regina Bittencourt admite que a maneira encontrada para “amenizar” esse problema foi o uso de plataformas digitais, principalmente o YouTube.

“O Projeto Gugu tem 40 núcleos em Niterói, sendo 37 de ginástica, dois de dança e o coral. Para muitas integrantes, o programa é a vida delas. Parar de repente, como aconteceu, é complicado. A maneira que encontramos para amenizar isso é colocar as aulas no YouTube e também no Facebook. Para isso, tivemos que entrar em todas as redes sociais. Com isso, conseguimos fazer até um curso on-line de dança de salão”, explicou Regina.

Mas a coordenadora reconheceu que em outubro de 2020 a situação ficou insustentável, pois em março do ano passado foi encerrada a parceria que o projeto tinha com a Prefeitura de Niterói. Por causa dessa situação, os professores que davam aula saíram do programa. Mas ela conta que, mesmo com essa situação, as alunas seguem as aulas com os vídeos que se encontram no canal e estão sempre comentando com as demais colegas a respeito dos vídeos.

Para Dias, esse tipo de projeto precisa ter o apoio do poder público por se tratar de uma medida que pode ajudar a prevenir doenças como depressão. Por isso que defende o debate público de medidas – entre elas o apoio financeiro – para essas iniciativas, principalmente em época de crise financeira por causa da pandemia.

Gabriel Gontijo

Foto: Divulgação

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