Dia Mundial do Braile celebrado em Niterói

Raquel Morais

Na segunda-feira (4) foi comemorado o Dia Mundial do Braile e o sistema de leitura para deficientes visuais é fundamental para garantir o acesso à cultura de quem tem dificuldade para enxergar ou é completamente cego. E a cidade de Niterói tem motivos para comemorar, já que sedia a Associação Fluminense de Amparo aos Cegos (Afac), principal entidade que atende quem tem deficiência visual no Rio de Janeiro, inclusive através do Sistema Único de Saúde (SUS), além de ter impressora em braile e produzir livros adaptados, além de outros materiais como cardápio, por exemplo.

A universitária Ana Cristina Vaz, de 24 anos, tem baixa visão e desde 2014 está fazendo os tratamentos na instituição.

“Eu faço toda a reabilitação e uso a bengala, faço aula de braile e informática. Continuo praticando o braile mas já consigo fazer a leitura. É um processo como uma alfabetização. É difícil mas é fundamental. Na eleição eu coloquei em prática o braile e essa autonomia é importante”, contou a moradora de São Gonçalo que tem uma doença rara na retina.

A coordenadora técnica da Afac, Joana Merat, explicou que o sistema de leitura é fundamental para quem tem a deficiência visual.

“Nós oferecemos aulas em braile mas não fazemos o processo de alfabetização. Damos o suporte para jovens adultos que ficaram cegos e esse acesso para a leitura e a escrita é fundamental. Além do braile nosso objetivo é criar um projeto terapêutico para proporcionar a autonomia e independência. Queremos que a pessoa consiga em todas as áreas ter acesso a inclusão e integração. Esse projeto contempla tudo desde a orientação e mobilidade para autonomia na locomoção interna e externa até suporte psicológico”, explicou.

A unidade, que fica no Fonseca, atende em média 450 usuários mas está com capacidade de atendimento reduzida em 50% desde agosto, por conta da pandemia do coronavírus. A Afac ficou fechada desde março e retomou os serviços em agosto. Somente no sistema de braile são 50 alunos assistidos, mas essa técnica está com atendimento suspenso, por ser uma atividade feita em grupo.

“Somente estão sendo atendidos quem não é do grupo de risco. Também tomamos todos os cuidados com a higiene para não ocorrer contaminação”, frisou Joana.

Segundo o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mais de 6,5 milhões de pessoas com deficiência visual vivem no Brasil, sendo 582 mil cegas e 6 milhões com baixa visão. O Sistema Braile foi criado pelo francês Louis Braille, em 1925. Cego após um acidente na oficina do pai, adaptou métodos utilizados por soldados franceses para comunicação noturna. Ainda segundo nota o sistema é baseado em pontos com relevo em papéis, que são apreendidos por meio do contato com a ponta dos dedos. Por meio da combinação de seis pontos, é possível fazer até 63 caracteres diferentes.

HISTÓRIA – A Afac foi fundada em 1º de maio de 1931 por um grupo de pessoas da sociedade fluminense que já tinha a visão da importância da inclusão. O objetivo inicial era abrigar a pessoa com deficiência visual e, ao mesmo tempo, dar a ela uma função social. Não por acaso, a primeira sede da instituição foi num galpão, localizado no bairro da Boa Viagem, que também funcionava como fábrica de vassouras. Ou seja, além de moradia, o espaço oferecia uma atividade laboral para o cego. A instituição oferece habilitação e reabilitação, com acompanhamento, manutenção dos ganhos adquiridos e a prevenção de deformidades, assim como a aquisição e adequação de órteses e próteses pelos pacientes. Todo esse trabalho é realizado por uma equipe multiprofissional que faz parte do corpo técnico da associação e atende todo território fluminense, conforme preconizado na legislação estadual de saúde e nos instrutivos de reabilitação do Ministério da Saúde.

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