Dia Internacional da Mulher: garra e superação contra as dificuldades

Raquel Morais –

Elas são fortes, independentes e empoderadas. Assumem cargo de chefia, lideram funcionários, têm até tripla função, mas não deixam a peteca cair entre a rotina de trabalho – na rua e em casa. Hoje é comemorado o Dia Internacional da Mulher, mas elas garantem: apenas um dia no ano para serem homenageadas é muito pouco!

Rachel Lopes, major do Corpo de Bombeiros, é a primeira mulher comandante de uma aeronave da corporação. Aos 37 anos, Rachel está no seleto grupo de 11 pessoas que se revezam na pilotagem de cinco helicópteros dos bombeiros fluminenses.

Rio de Janeiro – 26-02-2019 – Entrevista especial do Dia da Mulher com a Major do Bombeiros Comandante Rachel Lopes.
Foto Nelson Perez

“No fim do ano passado, concluí minha formação de comandante no Grupamento de Operações Aéreas do Corpo de Bombeiros. Eu sempre busquei isso, era um sonho. Só acreditei mesmo quando tirei meu primeiro serviço que, por coincidência, foi o transporte inter-hospitalar de uma mulher entre as cidades de Resende e Rio de Janeiro. Ela ficou feliz e se surpreendeu, pois nunca havia voado, nem muito mesmo com uma mulher como piloto”, contou a major.

Antes do feito de se tornar a primeira piloto dos Bombeiros, Rachel já tinha um pé na vanguarda. O ingresso se deu por meio de concurso para formação de oficiais, o primeiro a admitir mulheres na corporação.

“Sempre admirei o Corpo de Bombeiros e não sabia que aquele seria o primeiro ano em que mulheres poderiam ser admitidas. Aprendemos a lidar com essa diferença e os homens, que foram nossos colegas, viram que também somos capazes”, falou Rachel.

A gari Gleice Souza, de 32 anos, se considera um exemplo de mulher forte, guerreira e muito centrada. Ela trabalha varrendo as ruas de Niterói há nove anos e chama atenção por onde passa. Dona de um corpo escultural, divide a rotina de limpeza com a maternidade e as atividades de casa, além do cuidado com o corpo.

“Eu malho todos os dias e corro algumas vezes na semana. Também cuido da alimentação e, é claro, ensaio o meu samba no pé. Amo o samba e adoro essa rotina da dança e da fotografia”, contou a ‘garigata’, como foi apelidada pelos amigos de trabalho. “Tenho muito orgulho de ser mulher e, principalmente, de ser independente”, completou.

Independência também é uma palavra que norteia a ‘niteroiense portuguesa’ mais famosa da cidade: Henriqueta Henriques, dona da Gruta de Santo Antônio, na Ponta da Areia.

“Me sinto muito completa por ser mulher e ter assumido o papel de mãe e pai dos meus dois filhos. Fiquei viúva com 40 anos, meus filhos eram crianças e consegui manter a educação deles e meu restaurante. Foi muito difícil e eu trabalhava durante o dia, à noite e até de madrugada. Respeito todas as mulheres e tenho profunda admiração por elas, por isso todos os dias são nossos dias”, contou a portuguesa.

E quando o assunto é trabalho, a delegada da Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de São Gonçalo, Débora Rodrigues, de 48 anos, tem propriedade para falar. Ela assumiu em 2011 a chefia da Especializada e afirma ainda ser novidade uma mulher num cargo de comando.

“Já passei por muitas brincadeiras por ser mulher, mas dentro da Polícia existe um respeito por ser chefe. Mas temos um preconceito constitucional. É uma luta diária. Só estimo que tenhamos um país menos violento e que uma mulher possa terminar um relacionamento e continuar viva. Nós somos o quinto país que mais mata mulher pela razão de ser mulher e geralmente essas mortes acontecem quando elas terminam um relacionamento. Que tenhamos um país mais calmo, sensível e com mais oportunidades”, concluiu.

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