Dia Internacional da Enfermagem é celebrado nesta quarta (12)

Assim como muitos muitos super-heróis, eles também usam máscaras. Nesta quarta-feira (12) é comemorado o dia daqueles que deveriam ser homenageados todos os dias. Eles que estão na linha de frente, arriscando suas vidas para salvar a do próximo, lutando uma guerra silenciosa todos os dias durante 24 horas contra um vírus que já levou a vida de 425.711 brasileiros. Neste dia 12 de maio é comemorado o Dia Internacional da Enfermagem.

A categoria tem 2,4 milhões de profissionais no Brasil, entre enfermeiros, técnicos e auxiliares. Em mais de um ano de pandemia, foram registrados mais de 55 mil casos de Covid-19 entre os trabalhadores da enfermagem, com 779 mortes, de acordo com dados do Conselho Federal de Enfermagem.

A Jucimara Santos, de 35 anos, trabalha como enfermeira há 12 anos e sente muito orgulho da profissão. Mas conta que já sentiu muito medo durante a pandemia.

“A minha mãe era enfermeira, e desde criança eu quis seguir a profissão dela. Sempre senti muito orgulho de poder ajudar a cuidar das pessoas e salvar vidas. Mas quando a pandemia começou, eu pensei em largar a profissão porque um pânico tomou conta de mim. Era muito medo de ficar doente e levar o vírus para a minha família. Cheguei ao ponto de não conseguir ir trabalhar, mesmo sabendo que a equipe precisava de mim. Eu chorava muito e travava na hora de sair de casa”, desabafa.

Assim como a Jucimara, Analice Buitrago, de 29 anos, também está na linha de frente da Covid-19. Se formou em enfermagem um ano antes da pandemia começar e disse que, mesmo que passe por outras situações difíceis na profissão, essa sempre terá sido a mais assustadora.

“Eu nunca vou esquecer essa época sombria. Porque é assim que eu vejo. Foi assustador, difícil. Ver pessoas morrendo e ter contato, o tempo inteiro, com o causador da morte, era e ainda é, perturbador. A primeira vez que vi uma pessoa ser entubada e morrer uns dias depois, fiquei dois dias sem dormir. É uma sensação de impotência que não desejo pra ninguém”.

Apesar de toda dor e sofrimento, o trabalho é reconhecido por aqueles que precisaram da ajuda desses profissionais para viver. O estudante de direito, Adriano Lucas, de 23 anos, ficou quase um mês internado no CTI, em julho de 2020, mas venceu a batalha contra a Covid-19. E nesse dia dedicado aos profissionais da enfermagem, ele fez questão de mandar um recado.

“Se hoje estou aqui, é porque fui muito bem cuidado por pessoas capacitadas para isso. A minha mãe é médica e vive essa realidade de perto. Antes de ficar doente, eu morria de medo pela vida dela. Hoje oro pela minha mãe e por todas essas pessoas que largam a sua família para cuidar de quem elas nem conhecem. Só tendo muito amor pela profissão para fazer isso. Valorizem os profissionais da saúde, valorizem a vida. Hoje eu vejo tudo de outra forma e para mim, eles são muito mais que herói, são meus anjos da guarda”, disse.

Homenagem do Senado

O Senado fará uma sessão de homenagem pelo Dia Internacional da Enfermagem e do Enfermeiro. O requerimento para a homenagem foi aprovado e a cerimônia no Senado deve ocorrer na sexta-feira (14).

O requerimento ressalta que os enfermeiros e auxiliares colocam em risco a própria saúde para salvar outras pessoas, e mesmo assim a profissão continua desvalorizada no Brasil. De acordo com o senador Fabiano Contarato (Rede-ES) o reconhecimento popular ainda não corresponde a remunerações dignas.

No requerimento, ele também afirmou que esse reconhecimento deveria vir com a aprovação do PL 2.564/2020, do qual é autor. O projeto fixa um piso salarial para enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem e parteiras.

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